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    Especial FLIP 2008
    Com Carolina Lara e Jacqueline Lafloufa
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Quatro horas.

Um telefonema às 4 horas da manhã.

– Alô?
– Nah, sou eu.
– Oooi, Linda. Tudo bem? ‘Tá acontecendo alguma coisa?
– Não… Sim… Está tudo bem sim. Apenas tenho pensado… É que me aconteceu algo essa noite e eu precisava conversar.
– Ai, fale.
– Fui a um show. Sabe aquele? Acho que cheguei a comentar com você…
– Sim, falou.
– Então, foi lá no Espaço Fundo.
– Odeio aquele lugar.
– Bom, cheguei até cedo. Fui com a turminha… A Ana estava lá.
– Manda um beijo para ela quando a ver de novo, sinto saudades.
– Então, eu estava toda distraída, quando o Fiver veio falar comigo. Lembra dele?
– Nossa, ele estava lá? Não sabia que ele saia de casa… Saudade daquele rapaz. Sempre gentil e educado – eu sempre o achei um pouco feliz de mais, sabe?
– Pois é, também sempre achei, mas sempre pensei que o que ele mais precisasse é de amigos, gente mesmo, próximo dele. Sempre o tratei bem, embora às vezes ele passasse mesmo do limite.
– Mesmo. Isso também.
– Então, ele veio, me cumprimentou, conversamos sobre cursinhos, faculdades. Perguntou-me de ti.
– Que graça.
– E depois ele saiu, parecia estar com uma turma lá, não reconheci ninguém. Foi rápido, pareceu-me um pouco tímido, mas normal, nada de mais.
– Mas o que está te tirando o sono então?
– Até então tudo bem. Não aconteceu nada, mas no meio do show ele passou por mim com pressa. Pensei em fala com ele, mas me pareceu urgente, a pressa e tal. Pouco depois o vi voltando, cantando, sorrindo. Não me contive e, pelos velhos tempos…
– Você gritou? – uma risada alta – sempre fomos loucas.
– É, gritei bem alto o apelido dele. Com um sorriso, assustado e encabulado, ele me viu, mas continuou, até mais saltitante que antes.
– Que bobo e que boba.
– Nessa hora eu havia ficado sozinha pois o povo todo tinha ido ao banheiro e eu queria mesmo ver o show. Alguns passos depois ele se virou para mim com uma expressão séria, mas não muito; e veio de volta. Ai, sim, foi um pouco estarrecedor.
– Ai, meu Deus! O que foi?
– Eu ia rir e falar que eu tava brincando, mas não deu tempo. “Acabo de me dar conta”, ele começou a falar, “que esta poderá vir a ser a última noite que te vejo.”
– Nossa, que drama.
– É, eu sei, mas é o Fiver. Eu precisava ouvir e ele continuou; “Claro que existe o acaso de nos esbarrarmos e não me surpreenderia caso não nos reconhecêssemos.”
– Muito, muito drama.
– ESCUTA! Ele falou: “Não é preciso ser muito esperto para saber, para ver, reconhecer que não existem mulheres por ai como você. Por isso eu me arrependeria o resto da minha vida se não viesse aqui falar com você agora. Toda sua delicadeza, charme, encanto. Tudo. Nessa simpatia e educação, nesses lindos olhos, olhos que refletem alegria e pureza de um sorriso. Indiscutivelmente bela.” ou algo assim…
– Uou!
– Imagina a cara que eu já estava nesse ponto…
– O que você falou?
– O que você falaria?
– Não sei se teria palavras.
– Exatamente. Espere, que ainda não acabou. “Sabendo ser quase zero as chances de me deparar com alguém assim, preciso-lhe pedir um beijo. Algo que mostre o valer a pena, que me faça, através de um beijo teu, um beijo ateu, voltar a acreditar em Deus.”
Ambas ouvem um suspiro.
– E ai?
– Ai que me olhando nos olhos, senti-me ludibriada, hipnotizada e, quando voltei a mim, ele estava me abraçando e se aproximando devagar.
– Não acredito! – rindo.
– Quando ele estava muito próximo, inconscientemente, virei o rosto.
– Não acredito! – irada.
– É o Fiver. O Fiver! Você esperava o que?!
– Não sei, não consigo imaginá-lo falando tudo isso. Foi, meio que, meio que… Lindo.
– Não se apressa. Foi então que ele me deu um beijo na face, me abraçou forte como se fosse, mesmo, nunca mais me ver e lentamente foi saindo.
– Como assim? Você não disse nada?! Não fez nada?
– Não soube na hora, fiquei ali, de olhos fechados, com o rosto virado, do jeitinho que ele me soltou. Fiquei ali, ainda sentindo seu abraço, seu calor e perfume.
– Não creio que você não falou nada e deixou-o ir assim.
– Olha você se apressando de novo.
– Não acredito! Então conta logo – desacreditada.
– Eu devo ter pensando por uns dez segundos, ali de olhos fechados, quando que, quase que por um impulso, sai correndo. Não pude deixá-lo ir assim. Fui atrás dele. Não sabia o que falar, não tinha o que falar. Com o coração na boca, não sei como consegui, mas gritei-lhe. Acredito que desacreditando. Parei diante dele e apenas disse: “olha,…” Do nada! Inexplicavelmente, indescritivelmente, ele me silenciou com um beijo. Imagina só: coração na boca por não ter o que falar, respirando fundo por ter corrido e perdidamente sem ar por culpa daquele susto e beijo.
– Que demais. O Fiver?!?!!!!
– Foi um dos mais embaraçados momentos da minha vida.
– Hã? Por quê?!
– Foi tão bom, tão intenso… Que desmaiei!
– …
Dois dias depois, após quatro horas de frente para uma enorme TV, comendo e jogando vídeo-game, ouve-se:
– Então, se o primeiro e segundo colocados empatarem, e meu time ganhar, ainda temos chance.
– Chance?
– É, de garantir o sétimo lugar.
– Hum…
– …
– Ow, sabe o show que teve esses dias?
– Do Espaço Fundo? ‘Cê foi?
– Fui.
– ‘Tava da hora?
– Muito bom. Sabe a Tá?
– A que anda com a Ná e com a Ana?
– Isso… Catei.
– Ow, gata!

– …
– Viu o último game de destruição em massa que saiu?

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