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    Especial FLIP 2008
    Com Carolina Lara e Jacqueline Lafloufa
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Um fim de tarde, como qualquer um. Uma cidade enfadonha, como todas outras. As horas eram expressamente corridas, como as que nunca mais veremos. Uma amizade firme, uma amizade como seria se de muito tempo, de muito se superar e se surpreender. A cada dia um dia e a cada olhar uma descoberta. Possuíam uma ligação em que muito já se passou. Um passado já comentado em olhares, sorrisos e já é suficiente para rirem ou chorarem juntas. Duas garotas: Jey e Emy. Duas semanas foi o que se passou até trocarem telefonemas e combinarem de sair para a história uma da outra. Era como nos filmes, onde o que se passa não se esquece e até se duvida. Sinceras elas eram com certeza e é na falta de certeza que se passou o que não vi, mas que, ao fechar os olhos, não esqueço.

Acho melhor corrigir-me, pois não foi em uma tarde, foi naquela noite. Uma sexta-feira quente, inquieta. O dia tinha sido normal, nem melhor nem pior, cheio de conversas, assuntos, cigarros, cervejas e baralho. Como já não era novidade, ouviu-se um convite para uma baladinha tunts tunts, para no depois dormir uma na casa doutra. Como já era de praxe, ouviu-se aceitar o alívio convite para não se ficar só. Seguiu-se assim, como o combinado. Os olhares, que ao longo da noite por vezes se travaram, agora nem corriam mais; eram diretos. Indiretas, entretanto. Dançaram sentindo-se sob as estrelas que refletiam naquela bola de espelhos no teto e beberam todos os desinibidores alcoólicos e não alcoólicos que passavam pela cabeça e pelas mãos. Seguiu-se no amadurecimento daquela noite, a própria noite. Praticamente inesquecível e insaciáveis só foram embora quando a exaustão as impedia de continuar dançando. No cansaço, em casa já, pós noite, com o raiar do dia pensando em invadir a persiana, conversavam longamente. Estavam para dormir, ou pretendiam, mas ainda sem sono, mas ainda com muito que falar e, eufóricas, falavam do tudo como se não estivesse acontecendo nada. E não mesmo. Mas os silêncios que desconfortavam, aconteciam com cada vez mais freqüência, mas não eram aqueles silêncios onde não se tem o que falar, era daqueles em que o assunto se tornava inevitável. Jey resolveu tomar um banho. Gelado provavelmente. E, assim, deixou Emy desprendida e só em seu quarto. É rapidinho. Talvez tenha sido mesmo, mas nunca saberei. Não totalmente familiarizada com a casa, Emy procura algo que não saiba; no armário muitas roupas, na escrivaninha algumas folhas e nas prateleiras algum livro. Procura um que possa embalar seu descanso. Encontra um curioso, pequeno, capa escura, com letras finas, compridas e escarlates; tratou logo de chamar sua atenção. Pegou-o ligeiramente sonolenta, e sentou-se na cama de Jey enquanto ouvia o chuveiro ligado. Abriu na página marcada e começou a leitura, o sono não veio mesmo, e até se foi. Ela leu sobre uma garota e sua atração pelas outras, estando a página marcada exatamente em seu primeiro beijo. Distraída com a coincidente leitura desapercebeu que o som do chuveiro não se ouvia mais. E ali, agora já deitada na cama, se deixou levar por cinco páginas rápidas rápidas… Quando que de súbito, a porta do banheiro, que estava exatamente a sua frente, abriu. Daquela nuvem branca de vapor, que não se via nada, surgiu, com passos delicados, pezinhos precisos sobre o carpete macio e avermelhado do quarto.

Aos poucos se deixando mostrar, era como se todos aqueles silêncios, aqueles assuntos, por nada, ficassem todos a priori. Emy, estarrecida, boquiaberta, não disfarçou, sabia-se mais do que nunca instigada pela leitura, mas calou-se. Aquele vapor se dissipando, mostrava lentamente aquele lindo, doce e infantil sorriso envolto de uma toalha e com outra nos cabelos, deixando caída uma pequena mecha sobre os negros olhos. Sexy – pensou e quase falou, mas preferiu, mais uma vez, calar-se e, outra vez, desviou o olhar. Jey nada falou e sem desviar o olhar, não desviava nem seu pensar, queria o mesmo. Poderia ter ido direto ao guarda roupa procurar algo para se livrar daquela toalha molhada, seu vinho pijama de cetim talvez, mas não, parou de frente para o espelho e, em um jogo de cabeça, tirou a toalha que cobria seus cabelos e começou a secá-los, quase como querendo chamar o olhar no sentido da atenção e da tensão. Emy, sem perceber, já havia deixado sua leitura de lado e, de canto de olho, admirava-a. Jey rearrumava seus cabelos castanho escuro dentro daquele turbante molhado e veio sentar-se ao lado da amiga. O que está lendo? A pergunta saiu no mesmo instante que via a resposta e, inevitavelmente, se ruboriza. Olhando de lado, já nem mais se lembrando da pergunta, disfarça um possível pensamento sobre que roupa por. Nisso, Emy repara que uma mecha de cabelo rebelde havia caído sobre os ombros de Jey e levada na mais inocência malícia, com a ponta dos dedos, que ao longo da noite se procuravam, coloca para dentro da toalha, de onde havia saído. Jey apenas olha, e, mais uma vez, os olhares se seduzem e se perdem ao se encontrarem. A ponta dos dedos que arrumava o cabelo escorre pela face até o queixo como em um carinho suave. Lentamente retira sua mão e, mais nervosa, desvia seu olhar de novo. Jay dessa vez não deixa, é ela quem coloca seus dedos no queixo de Emy, trazendo seu olhar de volta e, sem pensar, dessa vez sem nem respirar, aproxima-se. Quente… Um beijo é dado. Selando o dia, a história, a sexta que já se via sábado e a minha imaginação que de nada teve se não uma remota sugestão!

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