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    Especial FLIP 2008
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Modelo “Grande Irmão” de Benkler

A outra teoria para o futuro da internet, presente no livro “Conectado”, vem do professor de Direito da Universidade de Yale, Yochai Benkler.

Em seu livro “The Wealth of Networks”, Benkler dialoga com Adam Smith, no sentido de que a internet desafia o modelo produtivo industrial surgido com o liberalismo por estimular a formação de uma economia baseada na cooperação e no compartilhamento de informação e conhecimento, onde o dinheiro deixa de ser o único impulsionador de relações produtivas em grande escala.

Ao permitir que cada um se expresse, que busque informações e se articule com maior independência, a rede subverte o poder das corporações que vendem entretenimento e mediam a comunicação pública. As forças do mercado não aceitarão pacificamente esse movimento de descentralização econômica e, para preservar privilégios, estão agindo com o consentimento dos governos contra os interesses da sociedade em relação à defesa da justiça e da liberdade.

Para Benkler, a internet reverteu a transformação da indústria cultural. A informação e o conhecimento, incluindo o entretenimento, eram tratados como mercadorias e parte integrante da economia. Com o advento do computador pessoal e do barateamento do acesso a Web, Benkler afirma que estamos numa nova fase da economia da informação, chamada “economia informacional em rede”.

Essa nova economia é totalmente contrária aos propósitos de propriedade e contrato, propostos pelo modelo de produção capitalista-liberal. Sendo assim, as grandes interessadas ( = os conglomerados midiáticos, incluindo gravadoras, produtoras de entretenimento, agências de notícias, etc.) disputam, através de mecanismos de controle, a ecologia do ambiente digital. E isso já se dá em três níveis: hardware, software e legislativo.

1 – Hardware: há uma pressão por parte dos conglomerados para que os fabricantes de computadores e de componentes físicos para a Web incluam mecanismos de controle para material protegido por direitos autorais.

2 – Software: programas e sites que disponibilizam conteúdo de entretenimento estão sofrendo pressões para se pagarem devidos direitos ou uma taxa de uso para os conglomerados. Além disso, conglomerados buscam maneiras de se padronizar um selo digital para produtos culturais, como se fossem produtos empacotados fisicamente.

3 – Legislativo: Diversos mecanismos legais estão podando a liberdade de se expressar e de compartilhar informação, sob ameaça de pena jurídica. Alguns casos chegam a ser censura e proibição da liberdade da expressão.

Para Benkler, o cenário que vemos atualmente irá chegar ao seu nível maior: o “Grande Irmão”. Governos e conglomerados controlarão o ambiente web, tendo acesso ao que você lê ou compartilha. Será vigilância total e perda de liberdade de ação. Benkler cita o exemplo do rádio, quando surgiu no começo do século XX, em que surgiu como um meio de comunicação “alternativo e libertário” à mídia impressa. E com o passar do tempo, foi regularizado e sofreu sanções que refletem até hoje, no controle da abertura de emissoras, etc.

Para concluir, Benkler defende que o modelo “Grande Irmão” mudará radicalmente a Web como conhecemos, assemelhando-se a televisão na sua forma de produzir conteúdo. Além disso, modelos censuratórios como na China e Coréia do Norte serão modelos a serem seguidos pelo “Grande Irmão”, sendo até piores, pois haverá um dispositivo legal para que se aperfeiçoem os mecanismos de controle.

Acho difícil que um modelo de controle seja imposto na Web. Assim como existem grupos que defendem o controle, há grupos que defendem a liberdade. Creio que chegamos num ponto que a liberdade tem força semelhante aos grandes grupos. Só vermos a reação pública à censura que Sarney impôs a diversos jornais e sites.

Post originalmente escrito em Midializado.

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