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    Especial FLIP 2008
    Com Carolina Lara e Jacqueline Lafloufa
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Vale Homem-Aranha

Este primeiro post, mais ou menos ríspido, sem apresentação, é uma reflexão singela sobre o Bolsa Cultura do presidente petista (não digo, nem escrevo mais seu nome). Também uma resposta a algumas idéias:

Segue a reposta que publiquei à postagem de Leonardo Sakamoto, em aparente resposta à postagem de Gilberto Dimenstein sobre o Vale Cultura do presidente:

Ta, mas você quis dizer o que, então?

Algumas críticas ligeiras às leituras conservadores do projeto. Muito bem. Mas as críticas, ainda mais, são necessárias, e muito, para desmistificar o reacionarismo deste governo que se pretende progressista (Reforma Agrária, em duas palavras).

Meu questionamento em relação a esta política, e não apenas a esta, é simples: Por que o presidente petista (não digo nem escrevo mais seu nome), se está realmente interessado em ampliar o acesso à Cultura à população mais carente não abre centros Culturais? Por que não melhora a qualidade do ensino fundamental e médio? Por que não libera mais verbas para o ensino público superior ao invés de vender a Educação aos barões da universidades privadas (em duplo sentido)? Por que não regulamenta a Lei Rouanet ao invés de permitir que os grandes empresários da Indústria Cultural (e você utilizou o termo no post, deve acreditar que existe? Ou é só mais uma paranoia da ‘elite’ Cultural?) se apropriem descaradamente do dinheiro público?

Qualquer apoio não crítico a esta política é acreditar que nada de melhor poderia ser feito.

Para mim o Bolsa Cultura, é Vale-Homem-Aranha, ou como disse o Dimenstein, é Bolsa-Circo. Mais uma atitude populista do presidente que quer resolver o problema da Educação com o ProUni (o movimento é duplo: não olhar para a Educação básica e dar dinheiro para os barões do ensino superior) e o da Cultura com Vale-Cinema.

O que mais me incomoda no projeto não é de forma alguma dar dinheiro às camadas mais necessitadas (aliás, ele não dá nada, apenas devolve o dinheiro à população, ao invés de investir em benefícios públicos, como seria a obrigação do Estado), é tratar Cultura, como foi explicito o presidente em discurso, e seu Ministro da Cultura, como mercadoria. Alegram-se todos ao perceber que pode-se movimentar a economia a partir da Cultura. É só disso que se trata, aliás, movimentar a economia, sempre e a qualquer custo. Provavelmente impulsionado pelo Vale-Homem-Aranha, aconteceu dia 27 o “Primeiro Seminário Nacional da Indústria da Cultura” (http://tiny.cc/Q2V9g). A política petista em relação a Cultura não é política, é entrega deliberada. Eis a posição do Ministro:

“O Vale-Cultura poderá ser utilizado para qualquer gênero artístico, não apenas para aqueles menos comerciais, que teriam menor capacidade de divulgação ou atração de público. E é bom que seja assim, enfatiza o ministro da Cultura, Juca Ferreira:

– Olha aí o dirigismo… Não me induza ao dirigismo… – brinca Ferreira. – O modo como vai se dar o consumo deve ser do livre arbítrio do consumidor. Isso vai até ser saudável para os setores. Eles vão ter que se preocupar mais em se comunicar melhor com suas plateias. O público vai passar a ter um poder de barganha maior”. (http://tiny.cc/EHXH2)

O que eu entendo desta declaração é a seguinte norma neo-liberal: A disputa (para o ‘consumidor’ de Cultura) é livre, quem vender melhor o peixe ganha o consumidor. Claro que nesta concepção qualquer relação com a realidade social, o nível e qualidade de Educação do ‘consumidor’ médio, a relação dele com sua própria Cultura, e o alcance de cada lado (da Indústria Cultural e do resto), não são considerados. Como a maior parte das políticas petistas, o neo-liberalismo, a falsa impressão de igualdade durante a disputa, são aceitos como verdade.

E uso ‘consumidor’ entre aspas porque acredito que uma concepção verdadeira de Cultura entende o indivíduo não como produtor OU receptor de Cultura, mas em uma interação de mão dupla que enriquece a ambos. Cinemarketing e Ivete Sangalo, como disse antes, não proporcionam isto, mas o contrário. O aprofundamento da distância entre o indivíduo e a Cultura da qual ele faz parte.

Veja, as acusações simplistas que você faz de ‘paternalismo Cultural’ são não mais do que, 1) a aceitação de que a Indústria Cultural existe como fenômeno ‘natural’, ou seja, que não existem ganhos políticos com ela e que ela não é produzida para ganhos políticos, 2) planificar os produtos da Indústria, com a arte e Cultura de verdade, sejam elas polulares ou eruditas (seja lá qual for esta distinção).

Não acho que existe boa vontade na política, o que pode existir é imbecilidade do presidente, do que eu não duvido. O efeito positivo mínimo que isso pode ter, que é tirar as pessoas de casa e ‘obrigá-las’ a investir dinheiro em outra coisa (há aqui também uma discussão necessária sobre a obrigatoriedade do trabalhador em se investir em Cultura), não é maior do que a venda do conceito de Cultura que, ao invés de ser discutido, como qualquer conceito em uma democracia, é simplesmente aplicado. Aqui caberia uma longa discussão sobre o que significa Cultura para um povo. No básico: a Cultura é a relação do povo com sua própria tradição. A partir do momento em que um governo vende esta relação (e é isso que o Bolsa-Cultura faz, lança um vale cinquenta reais para a livre selva neo-liberal e a Indústria Cultural muito provavelmente vencerá esta fácil, prova disso é que quase ninguém reclamou do ‘benefício’ ainda), ao invés de aprofundá-la e enriquecê-la com investimentos na Educação – que é no fundo, a iniciação do indivíduo aos valores morais de sua própria Cultura – e na Cultural verdadeira, o incentivo ao conhecimento da história dos diversos povos que constituem esse país, o incentivo a troca destas Culturas e a, no limite, a identificação maior com a coletividade que o indivíduo constitui.

No mais, me parece esperança petista, já vencida, há tempos.

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