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    Especial FLIP 2008
    Com Carolina Lara e Jacqueline Lafloufa
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Cap. 15 – Novos aliados na Guerra Santa

Maria das Dores sentia-se feliz. Padre Renato sabia acalmá-la e deixá-la contente. Mas, como nem só de palavra vive o homem, mas também de pão, Maria das Dores, sem dinheiro e sem muito o que pudesse vender, precisou recorrer aos pais do marido. Via o padre às quartas e visitava a sogra às quintas. D. Justina, por amor aos netos, dava alguma ajuda financeira à nora, mulher ajuizada. O aluguel, atrasado há três meses, não era pago, pois D. Justina não tinha condições de dar tanto dinheiro à família de seu filho. O proprietário do imóvel onde Pedro Vitório morava com a família propôs perdoar a dívida se a casa fosse desocupada até o fim do mês. Tratava-se de uma caridade, pois o proprietário, sabendo que a família não tinha como pagar os meses atrasados, ajudaria a família perdoando a dívida. Em contrapartida, esta lhe evitaria os aborrecimentos inerentes à abertura de uma ação de despejo. D. Justina e seu Adolfo, sabendo da situação em detalhes, convidaram D. Maria das Dores para ir morar com eles, levando o marido e os filhos. A casa tinha um quarto sobrando, onde o casal poderia acomodar-se. As irmãs de Pedro Vitório poderiam dormir no mesmo quarto. Casa grande, seu Adolfo a adquiriu logo após se casar, através da CDHU. Pagou-a a duras penas, ao longo dos anos, até ser dono da própria casa. Era pequena, mas seu Adolfo a esticou, fazendo puxadinhos daqui e dali para dar conforto aos filhos. A idéia agradou Maria das Dores. A sogra poderia cuidar do filho mais novo enquanto ela arranjaria trabalho. Já era chefe de família desde que o marido a abandonara para seguir Jesus, só não tinha renda. Além disso, morando com os pais talvez Pedro Vitório tomasse juízo. Desistiria daquela religião maldita? Pouco provável, mas sempre há aquela pontinha de esperança. Os pais de Pedro Vitório, preocupados com o filho, decidiram visitá-lo em uma manhã de sábado. Não o queriam naquela igreja caça-níquel. Queriam-no trabalhando, freqüentando igreja séria e cuidando da família. Queriam recuperar-lhe a dignidade. Filho problemático. Não bastasse a filha mais velha, Camilaine, que não queria se casar, e a filha caçula, Julips, que estava ficando falada na vizinhança, o filho, casado e independente, perdia o juízo. Discussões voltaram a ser corriqueiras na casa da família da Cruz. Maria das Dores tentava convencer o marido a se mudar com ela e as crianças para a casa de seu Adolfo. Pedro Vitório não queria, pois Jesus pagaria o aluguel de algum jeito. Se não pagasse, era sinal de que Jesus realmente desejava a mudança. Conversaria com o pastor sobre o assunto. O representante de Deus saberia o que fazer. Pedro Vitório, na verdade, não queria ir. Lembrava-se do jeito autoritário do pai e da catolicidade da mãe. Perderia sua liberdade com o pai lhe dando ordens e dependeria financeiramente dos católicos. Tentariam convertê-lo à fé errada. Tentariam afastá-lo de Jesus. Tentariam arruinar sua vida e transformá-lo em um zero à esquerda novamente. Talvez as coisas fossem diferentes. Quem sabe Jesus não estaria querendo usá-lo para salvar as almas de seus pais e de suas irmãs? Talvez o retorno à casa paterna fosse parte do grande projeto que Jesus tinha para ele. Casa cheia de almas pecadoras esperando a salvação que chegaria através dele, Pedro Vitório da Cruz, obreiro de Cristo. ― Seja feita a tua vontade, Jesus! ― Bradou orgulhoso.

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