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    Especial FLIP 2008
    Com Carolina Lara e Jacqueline Lafloufa
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V.W.

Adeline, Adeline

With her hollowed eyes

Writing in her one room

Will you write the world for me?

Will you write me a nail?

 

I know they’ll remember you

They’ll tell me who you were

Maybe the most important one

I’ll tell them you are important

You are one for me

 

You tell me the world

You tell me how you see

And I’m seeing it too with my eyes

One day I’ll see with my two

 

One day you’ll enter through that picture

To see me

And I’ll see you through that morning light

 

And then I’ll know what was good

Writing all those years

Writing alone in that one room of yours

 

No quarto dela, para onde ela sai para o mundo, foi onde eu a fui encontrar e parar na cabeça dela. Parar para que façam sentido todos esses sonhos meus. Parar para que a vida seja mais real. A vida pode ser mais real? Se só foi às vezes até agora… Algo alguma vez muda? Existe movimento?

Eu a vejo com seus pulsos firmes e um branco que salta aos olhos. Ela parece um rosto tirado de uma fotografia antiga, das primeiras fotografias, em que a mistura de imagem difusa e nítida na mesma imagem faz com que a perspectiva tome mais vida, que o pescoço dela pareça sair da foto, que a testa pareça mais afundada nela. Foi assim que eu a conheci e não de outro jeito.

E no entanto ela não fala comigo, não me vê, eu não a conheço, e no entanto ela fala comigo, fala através de mim, fala como o estranho que passa e diz a palavra que faltava no teu monólogo, mas sem olhar para você.

Não, eu sinto que ela não me conhece, que ela não é das minhas. Não é minha mãe, nem poderia ser minha filha, não é minha irmã. Não luta, nem está sentada, não faz ambos. E no entanto ela está ali. E o que era ela?

Fazem sentido todas aquelas personagens, miríades e reflexos. Talvez dela mesma. Não dela mesma, do mistério que circunda a cabeça dela. Circundava? Não, o mistério ainda está aí. Eu estou vendo ele.

Se ela puxar mais um sentido, for o mártir que faltava, então o mundo vai desmoronar, mundo cartas de baralho, ela diz uma palavra e tudo vai desmoronar, porque ela não fala nada e no entanto fala, e assim é como se estivesse em silêncio.

De que adianta um exercício? Tentar circundar e cercar o mistério, não oferecer oferendas pois se conhece o deus, se a última palavra sempre falta, a última idéia sempre estabelece um limite, ao tentar completar o sonho cai-se num vazio impressionante e na boba tentativa. Eu devia aprender com ela. Eu devia. Um quarto vazio e dinheiro. Um quarto onde se pode ser um. Ela está ali escrevendo. Ela está ali.

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2 Respostas

  1. Quantas vezes só esse ato de expectador parece que não basta?
    Algumas vezes da vontade de realmente viver cada uma das palavras.

  2. esse é o seu texto menos hermético até agora. gostei muito, só não gosto muito dessa sua mania de se fazer perguntas. não sei se é uma implicância pessoal minha, ou se realmente muda a fluidez do texto.

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