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um príncipe nada pequeno

obs: Minhas devidas desculpas por não ter postado no mês passado. Marasmo mental.

grande


Argh. Finalmente vieram até mim, de má vontade, algumas palavras. Elas estão cada vez mais arrogantes, frias, ausentes. Nem me dão mais atenção. Vou me aproveitar deste raro momento em que elas me dão uma chance, vou aproveitar como se fosse a última. Estou em cativeiro, mas não há ninguém eternamente responsável por mim.
Passemos ao mundo de fora; minha vida pessoal não existe neste torturante e interminável momento.
Não costumo escrever sobre escritos. Aliás, até que o faço de quando em vez, mas não tão especificamente como o farei agora. Não é uma análise; apenas se trata de pensamentos jogados ao nada. Quem queira, que os apanhe de bom grado. Contente fico. Aí vai, perdoar-me-ão o fictício leitor e o real também – se aí estiver, em algum canto – os erros de português ou de raciocínio.
Se eu tivesse facilidade para chorar, com certeza teria chorado muito nesta leitura. Acho que chorei por dentro. É impressionante como um texto pode conter características tão conflitantes… É tão ingênuo, inocente e ao mesmo tempo tão autoconsciente, cheio de intenção, que dá ao leitor uma felicidade estranha. Não é nada eufórica, é uma felicidade muda, complacente, contida… Não vibra, apenas admira.
Palavras simples e mais plenas de conteúdo e de verdade – ou tão plenas quanto – que qualquer escritura canonizada, qualquer texto acadêmico. É um texto que nos faz acordar, por um segundo. Pena que, para certas coisas, a memória humana é bem fraca. Concordo com o autor e com a personagem – as pessoas grandes são realmente muito estranhas. Tenho medo de um dia ser grande por dentro, também.
Se é possível resumir em uma palavra a sensação que este texto me passou, com certeza diria: melancolia. Até os ossos. Cada palavra está encharcada de melancolia, esta mistura de tristeza e felicidade que às vezes é tão gostosa, e outras tão terrível. Uma energia que luta para não se conformar com o atual estado das coisas, mesmo com quase certeza de que será esmagada pelo mundo. Desistir, jamais.
Não sei se este texto teria um fim. Apesar de o sentimento em questão ser relativamente raro hoje, ainda é universal. Nunca vai se extingüir de todo. Só sei que o autor deste livro se aproxima daquilo que eu chamaria de gênio. Não criou nenhuma invenção, não escreveu nenhum tratado ininteligível de seiscentas páginas; enfim, apenas viveu normalmente, coisa que nos esquecemos de fazer. Pois o ser “humano” está sempre muito ocupado em tentar aparecer, ficar de algum modo em evidência.
Aquele a quem me refiro não é um gênio da literatura, nem da pintura. Seus desenhos são simples, assim como o são as suas frases. A genialidade está na sua sinceridade, sua aparente humildade para com o mundo; para quem tiver vinte minutos de seu dia destinados a dar atenção ao que ele tem a dizer. É tão simples que dá aflição. Tudo se resume em nós apenas darmos uma chance, não importa a que… Estou falando demais.
Não há conclusão. Como diria o poeta cujo túmulo é coberto de beijos, não sou jovem o suficiente para saber tudo.

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