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    Especial FLIP 2008
    Com Carolina Lara e Jacqueline Lafloufa
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Eu estou te olhando de longe, como os passos na minha areia. Eu não te ouço mais, nem vejo sua voz. Mas como eu queria hoje… Como eu queria que hoje fosse ontem e nós pudéssemos evitar todos os erros como quem vai pulando de pedra em pedra e corre o risco enorme de morrer, mas pular de pedra em pedra é tão simples que nós quase esquecemos o reflexo da morte na água abaixo.

Nós decidimos nadar. Não decidimos. Quando vimos a água já batia em nossas coxas e nós demos as mãos e sorrimos e entramos peito adentro, cabeça abaixo, na água.

E quão fria era no começo que eu nem via que as suas veias eram azuis, que o som da sinfonia nos meus ouvidos era o meu coração pulsando na atmosfera submarina. Quão fria era que eu me esqueci da minha vida. Da fragilidade terrível, constante e insuperável de todas as nossas vidas. E eu fui criança demais para pensar que eu poderia morrer. Criança demais pensando que talvez eu tinha mais umas cinco vidas para gastar.

E agora você está aí, tão longe de mim, e triste. E talvez não seja por mim, talvez você não sinta mais saudade. Talvez esteja triste pela vida, porque a vida é assim. E vai sentindo um sentimento de tristeza que vai vindo lá de dentro como um burburinho silencioso, como um pequeno redemoinho de água, que não cresce mas não cessa. Que não se transforma nem é tempestade, que não se transforma nem é passageiro. É o que os deprimidos gostam de chamar de melancolia. Eu o chamo de nascente.

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4 Respostas

  1. Eu gosto muito de não dar título. Raoni, eu não estou sóbria, mas parece que seu texto escorre..

  2. que bom! gosto quando consigo causar qualquer efeito em quem lê um texto meu! 🙂

    e sobre não estar sóbria acho que pode até ser melhor comentários assim, porque daí ficamos mais desinibidos! hehehe

    bjooo

  3. essa sensação de água é exatamente isso: a nascente.
    muito bom.

  4. os seus textos parecem provocar um desespero sorridente.

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