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    Especial FLIP 2008
    Com Carolina Lara e Jacqueline Lafloufa
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Mágica

Naquele lugar todo asséptico, toquinha na cabeça, avental, ela não conseguia afastar a ansiedade. A felicidade era grande, mas o medo também existia.

Deitada na maca, preparou-se. Atencioso, o cirurgião esclareceu o procedimento, e avisava o que fazia a cada movimento. “Você não vai sentir dor, mas vai sentir a pressão, os movimentos.”

Dor mesmo ela não sentiu, mas o pânico tomou conta dela quando, depois do ‘flap’ do corte da retina, tudo escureceu. ”Vou ficar cega”, pensou alto. Mas foi logo tranquilizada pelo doutor, que avisou que após o próximo procedimento, tudo ia se clarear.

Realmente, o susto durou pouco, porém também se repetiu no olho esquerdo, causando aqueles 5 segundos de tensão que são inevitáveis.

Rápido, indolor. A única pena ia ser ficar meses sem usar maquiagem – principalmente seu lápis preto, característico. Tudo em prol de um bem maior. Tudo para não ter que usar mais aquelas pesadas armações.

A luz que voltou aos olhos dela não era a mesma de antes: apesar do incômodo dos protetores, sua vida já estava diferente. Porque ela via a vida diferente.

Sem o auxílio de lente alguma, lia todas as placas, propagandas, banners, adesivos, folhetos, panfletos e grafittis da cidade. O mundo agora era um novo mundo. Foi a viagem de carro mais imagética e menos sonolenta que já tivera.

Ao chegar em casa, resolveu tomar um banho. Coisa simples, um banho quente, pra mandar embora toda aquela tensão pela qual passara antes da cirurgia. Mas o que ela teve não foi um banho, mas sim um show de imagens. Depois de desistir de tomar banho de óoculos, ela se acostumara a não enxergar as coisas com nitidez. Não raro uma sujeirinha no pé passava batido. Mas esse banho foi diferente. Nada de confundir o frasco de shampoo com o do condicionador, nada de deixar algo passar batido pelo sabonete. Aquela neblina quente, mágica, enfim foi visível.

Tudo que para todo mundo é banal ganhou atenção especial no novo olhar de Carolina.  Tudo parecia muito simples para os outros, mas para ela existia todo um novo mundo depois de deixar para trás sua velha miopia.

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2 Respostas

  1. Ahhhhhhhh!!!! Meu Deus!!! Realmente pra que achava que a literatura não corria nas veias, você está cada vez mais mostrando que era só ceninha!
    Você está no caminho certo, Jacque, e estou realmente tocada com essa homenagem!

    Esse novo mundo ficou beeem colorido com você pra eu contar tudo!

  2. Jacque, também gostei muito, também acho que você está cada vez melhor. Fui ficando feliz com o texto e, uma coisa que acontece raramente, achei o texto bom sem ele ter nenhuma tristeza ou dificuldade.

    Tenha uma sugestão pro Ambidestria também. Que tal colocar na capa do site sempre o último texto que foi postado? Assim haveria um destaque pra quem escreveu e a maior possibilidade de as pessoas o lerem.

    bjo!

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