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    Especial FLIP 2008
    Com Carolina Lara e Jacqueline Lafloufa
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Nunca Vazio

Me perdoem minha longa ausência, mas muitas leituras geram muitas crises e hiatos criativos. As palavras ficam presas na cabeça e não saltam para o papel de jeito nenhum. Hoje não vou postar um poema, e sim um texto em prosa, que fiz graças a um caro amigo que em longas conversas em muitas mesas me fez perceber que uma hora ou outra, eu ia ter que arriscar algo a mais.

Prometo não os abandonar por tanto tempo assim novamente. Vamos ver a qual pé (ou mão) isso chega!

Mais uma faceta das minhas falangetas!

Até breve!

*

Conversas nunca vazias, diferentemente daqueles copos, que por mais que os garçons tentassem sempre manter cheios estavam sempre vazios, ou beirando o vazio, e assim como cada grão abandonado em uma mesa, eram diversos mas unidos por um mesmo destino de limitações de definições.

Cada grão, um universo.

A solidão do grão e o vazio do copo completavam (complementavam – ó, como o complemento sempre se faz essencial) e amplificavam com toda a potência existente aquela vida, aquele universo. Evitar sentar em uma mesa onde se tinha um grão não era uma frescura, e sim, respeito: os universos podem coexistir paralelamente, mas sempre há cautela com os choques resultados de encontros casuais, ocasionais, passionais (choques sempre geram paixões, por mais que despercebidas).

Mais cafés, mais cervejas, alguns cigarros (assim como os grãos, estão sempre presentes), mais copos, menos grãos.

A confrontação com o grão gerava sempre aquela conhecida, mas temida sensação de desespero: o choque derivado do encontro com o grão e sua situação de abandono em algumas mesas, após algumas refeições de algumas pessoas despreocupadas (ora! “aquilo” é “simplesmente” um grão), levava à reflexão dos vários tipos de abandono que em todos os universos, do micro-grão ao macro-eu que é micro-no-mundo, mas macro-sacro na sua particularidade.

Mais cafés, mais cervejas, alguns cigarros, essa forma de escapismo do confronto com o grão, que gera um outro choque, o choque da fumaça esvoaçante que está sempre ali, mais copos, menos grãos, mais digressões e discussões canônicas a partir dos mais variados tipos de assuntos não canônicos (os grãos na sua falta de cânone, são muito canônicos).

Tudo é e gera vida, tudo é e gera luminosidades.

Um resto de chocolate que grudou no dedo e se limpa no joelho abre outra porta no meio da sala da banalidade que leva à uma sacada ampla e bastante iluminada: eis o inesperado acomodado bem ali!

O inesperado vindo do comum, como sempre se espera dele, o choque de ações que são feitas várias vezes, em vários lugares, por várias pessoas, que assim como o grão possuem a sua particularidade e seu mistério, que quando vistos bem de perto deixam de ser ma mancha de chocolate ou um grão: tornam-se uma deliciosa constatação da alma para o fato de para tudo ter um motivo, por menor e mais insignificante que seja a fonte. A alma está sempre ali, nunca se vende ou se rende.

Menos cafés, menos cervejas, muitos cigarros (aqui o desespero se mostra bem gritante e lacerante, mas delicioso acima de tudo), mais grãos, mais sensações.

Enche a vida, esvazia o copo, preenche o vazio com o mínimo que gera o máximo.

Inesperadamente esperado este momento sagrado.

E o grão está sempre ali…

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Uma resposta

  1. lindo mãe, adorei a sua nova aventura pelos reinos da prosa. no começo não tava entendendo muito, mas depois tudo foi ficando claro entre os choques quânticos de belezas, banalidades, vazios e grãos.

    que você não abandone esse caminho tão cedo.

    um bjo
    teu filho

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