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Tudo errado

Naqueles dias, o mundo ficou todo errado, distorcido.

A comida da mãe estava sem sal, sem gosto, sem tempero. O namorado tinha virado um tremendo cafajeste. A missa, no domingo, estava mais insuportável que nunca, e até  a voz do padre causava uma irritação absurda. A avó passou a mentir ao contar suas histórias, e os pais davam muita “folga” para a irmã mais nova, permitindo que ela fizesse coisas que antes, a mais velha não fazia. Não tinha nada interessante na TV, a música do vizinho nordestino estava absurdamente alta, e o que fazer naquele dia chuvoso de merda? Tudo estava horrível, tudo era terrivelmente desagradável.

Mas a parte mais complicada, para ela, era tentar explicar o motivo de tanta irritação. Afinal, no fundo, no fundo, estava tudo “certo”: a comida, na verdade, estava bem gostosa, feita com todo aquele carinho e paciência que só mãe tem na hora de fazer almoço pra família toda; o namorado, bem, não era exatamente um cafajeste, ele só tinha saído pra um bar com os amigos. Aliás, era até irritante a sua enorme compassividade, aquela sua complacência com toda aquela reclamação que ela fazia.  A gentileza dele diante de tanta agressividade era extremamente incômoda. E a missa? Bom, ela era a mesma de todo santo domingo, as mesmas ameaças de inferno, recompensas de céu.

A avó, ‘tadinha, já com 80 anos e contando as mesmas histórias de sempre, com os mesmos exageros de sempre, mas jamais mentindo. Pobre tem essa questão de honra, não mente, não rouba, não deixa de pagar. A irmã tinha as mesmas regalias que ela, em tal época, e a TV… bom, a TV não tinha nada de interessante mesmo, porque era domingo.

E então, depois do banho, no domingo, ela troca o último absorvente daquele ciclo, e se dá conta: era tudo TPM.

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3 Respostas

  1. Adooorei : ))

  2. um dia te vejo fazendo poesia, ô se vejo! 🙂

  3. Muito bom! Gostei!

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