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    Especial FLIP 2008
    Com Carolina Lara e Jacqueline Lafloufa
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Andaraí

Filhota,

Transcrever o que vi é de certa forma desvirtuar o que senti enquanto o via. Teço meus pensamentos no alto do morro, naquela pedra levemente deslocada que paira no ar. A vertigem me prova a vida a todo instante e não é porque enlouqueço, filha, que não posso dizer verdades. Fujo do ar da cidade viciado e as sombras, na mata seca, são espectros daquilo que não tivemos enquanto gente. Por aqui, os abismos me confrontam o dia inteiro em terremotos que vêm vindo lá de onde não existe mais tempo. No fim de tarde, os horizontes se pronunciam em pedra talhada e aguardam o corpo em queda. É assim que se deve morrer. As altitudes me atormentam durante o sonho; não sei mais andar com o pé no chão. Não sei mais voltar para casa. Não sei mais voltar para onde o amor me escancara a alma em páginas de jornal. [Cuidado ao namorar escritores, pequena… ficção e vida se tornam a mesma coisa.] Vivo agora no mundo do amor grande, transcendente, sem nome. É o amor pela solidão, por subir e descer sempre a mesma margem do rio; um amor que sorri banguela. Em noite de lua nova, desbravo a penumbra e ela me afaga os medos. A noite é um grande buraco – não tem para onde cair nem pular.  E vou caminhando, tateando. Às vezes acho umas notícias do mundo por aí. Penso em escrever. E percebo que não sou nenhum contador de histórias. Mas também… não tem como: só sei falar a verdade desde que vi o que é a chuva no sertão.

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Uma resposta

  1. Essa prosa rasgada menina! me nina no embalo dessa solidao sem ombro que console nem peito que abrigue o quanto possa. De volta na selva de asfalto longe da rachadura das pedras, fico assim so sem lua, sem destino, sem o ouvido das noites entorpecidas no cantinho dos duendes…..

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