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    Especial FLIP 2008
    Com Carolina Lara e Jacqueline Lafloufa
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Crateras

Não consigo me esquecer ao certo. Foram a mesa, os pratos, o garfo torto e a taça lascada. Uma casa sem fotos recordadas. Todas retiradas. As janelas sujas e uma mesa de jantar arruinada. Me vejo na minha avó. Cada ruga, uma linha a ser seguida. E os olhos – só sabem espreitar. Algumas nuvens. Vem o vento e chama as outras. Às vezes choves. Às vezes não. A cadeira rústica, algumas farpas nas mãos. A casa de boneca com uma mãe desaparecida. Desconfio da vizinha. Vamos brincar na chuva! Era o pequeno: cabelo caracol, ar de nobreza e dois globos verdes. Voa lama, sobe grama e as marcas do pezinho na ardósia. Corro. O carro velho parado, essa imagem de avô. E o cheiro. Cheiro de quandocriança. E se eu não quiser ir? Passa dia, desce sol e à noite as cigarras. Quantos cortes cinematográficos, não sei nem mais escrever. Saudades de voltar para a casa fechada depois de longas férias. Descobrir todos os cantos de novo. Antes eu deitava na cama, quase dormindo, a pia do banheiro pingando e o poema virava desenho e desvirava tudo de novo. No final era sempre uma carta pra mim mesma, essa coisa de se entregar. E agora essa coisa de não querer finais, de ter medo de achar finais. No fim, termina de repente e abrem-se as janelas rápido. É dia, deixa a luz entrar e o quarto ventilar. Fecha olho, pisca, afunda a cara no travesseiro, respira. A barriga contrai pro lado. Friozinho. Se ninguém entender, se ninguém vier e se a casa não existir? E quando você, não me querendo, não deixar a chave virar? Testa no vidro, meu cabelo vai soltar, dezenas de cachos explodindo e os meus olhos apertados, apontando para o chão. Vou te lembrar o que você disse no chão da sala, janela entreaberta e latinhas de cerveja pelo piso. As madeiras desencaixadas e o dia resignado. Como é que faz pra ficar pra sempre? Tem que morrer junto? Dois pés de manga, duas cordas e um nascimento. Antes de dormir, fico pensando demais.

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2 Respostas

  1. lindo. me reconheci. não sei se foram as perguntas que mostram o inconsolo, essas perguntas que nunca tem respostas, ou o final ou o ficar se procurando procurando, na infancia, no passado, nas memórias e nas coisas que ainda estão vivas, pra olhar e ter certeza do que não morreu. ou pra ficar em paz com o que já morreu.

    um beijo meu amor!
    muitas saudades!

  2. essa disposição de substantivos a esmo me incomoda absurdos! na falta de verbos, minha atenção fica dispersa, sabe? Acho que seu texto seria mais rico se voce conseguisse amarrar melhor as cenas. por enquanto, achei tudo meio vago e esparso.
    apesar de que tem umas frases, assim, que arrepia…

    eu gosto mais quando voce conta historinhas, rs

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