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Quem tem medo da ursa?

Bárbara foi uma menina doce.

Cachinhos morenos escorriam pelos seus ombros contrastando com sua pele alva; olhos verdes resplandescentes e um sorriso angelical; rosto bem esculpido… Uma verdadeira princesinha! Era o experimento perfeito. Como se fazer notar a diferença se não for em algo realmente notável?

Ela contava então com apenas quatro aninhos.

Seu pequeno universo começara a se desfazer ali.

* * *

P2: Olhe aquilo… (aponta Bárbara) brinca tão docemente com os seus ursinhos de pelúcia que nem se dá conta de que seus pais estão brigando na sala de jantar.

P3: Observe melhor! Os olhares da pequena podem não estar mirando a cena diretamente, mas seus ouvidos estão lá, eriçados, ouvindo palavra por palavra.

P2: Não estou apreendendo esta informação, o que o leva a esta conclusão?

P1: Se ficasse em silêncio talvez percebesse.

* * *

Teddy era um urso muito mau. Toda manhã saía para trabalhar apressado e nem sequer dava beijo de bom dia na sua querida esposa, Lola. Ela cuidava das crianças, arrumava a casa e não quase nem tinha tempo para assistir sua novela e seu programa de culinária. Ao final da tarde, ela tomava banho e se arrumava, e passava bastante perfume! Teddy gostava quando ela estava bem cheirosa!

Mas uma tarde, ele não chegou a tarde, mas à noite. Já estava muito escuro lá fora. E era perigoso, porque se ele fizesse muito barulho, o homem-do-saco viria e levaria ele embora e seus filhos iam morrer de fome. Lola já estava preocupada quando a porta da frente bateu. Era ele. Lola correu abraçar seu marido com muito carinho, mas achou estranho, porque ele estava com o mesmo perfume que ela. Teddy foi tomar banho. Lola pegou sua camisa e ficou cheirando para confirmar se aquele perfume era igual o dela… se era, era de uma outra ursa! Enquanto mexia na camisa, um papelzinho caiu de um dos bolsos.

* * *

P2: Eu não acredito!

P3: Cale a boca e continue observando!!

* * *

Era a conta de um restaurante. Um dos restaurantes mais caros da cidade! Teddy nunca tinha levado Lola passear por lá. E ele comeu mel. É, ele comeu mel! E não foi sozinho, porque eram 2 potes de mel! E potes grandes que ele não ia conseguir comer sozinho. Sim, ele tinha levado alguma ursa. Lola tinha certeza!

Então ela foi a cozinha e pegou uma frigideira para bater na cabeça de Teddy para ele não fazer isto de novo. (Será que a panela rosa dói mais?)

Teddy saiu do banho todo renovado, deitou na cama, virou e dormiu. Lola foi com passos lentos e atirou a panela rosa (sim, ia doer mais!) com todo gosto na cabeça do marido.

T: O que foi que eu fiz?!?

L: Você levou outra ursa para comer mel com você em um restaurante que você nunca me levou! E ela ainda usa o mesmo perfume que eu!

T: Não, querida, claro que não. Eu posso explicar!

L: Você sempre diz isto! Todo mundo sempre diz isto! Você acha que eu fico trancada aqui e não sei nada do mundo? Você está enganado. Você fez a mesma coisa que o moço bonito da novela fez! Não… não vou me enganar como a Maria Cristina. EU NÃO VOU TE PERDOAR.

* * *

P1: Oh! Por Darwin! Esta menina vai ser uma psicopata quando crescer se não fizermos algo. Ela está quase arrancando a cabeça do tal de Teddy.

P3: Precisamos de um estímulo, rápido! E algo convincente.

P2: Pode ser qualquer coisa?

P3: Precisamos reconciliar o casal na cabeça da Bárbara… rapidamente.

* * *

Pausa. Bárbara havia pressionado Teddy contra a parede usando toda sua força infantil.

* * *

L: EU NÃO VOU TE PERDOAR MESMO. VOU ARRANCAR A SUA CABEÇA!

* * *

P1: Vamos condicioná-la a não reproduzir mais estas brigas. Precisamos de algo grande, forte e chocante. Vai ser um choque, mas acredito que possa resolver. Quem me apoia?

P3: Não podemos deixar nosso pequeno experimento crescer achando que arrancar a cabeça do parceiro é uma solução para as brigas conjugais… Eu apoio.

P2: É.. apoio também!

* * *

TOC! TOC! TOC!

Era a porta do quarto de Bárbara. A menina saiu insatisfeita do seu transe para abrir a porta que a mãe tinha fechado um pouco antes da briga.

B: MamÃEEEEEEE! – os olhos da pequena se esbugalharam.

Era a Mamãe-ursinho-de-pelúcia, mãe de Teddy, com um pouco mais de um metro e oitenta de altura e expressão de poucos amigos.

M: RRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR!

Os cachinhos de Bárbara se desfizeram com o urro. Mamãe-ursinho-de-pelúcia, caminhou com passos lentos até seu filho, carregou-o no colo e disse algumas coisas em seu ouvido. Fitou Bárbara com asco. Após, colocou o filho na pequena cama de brinquedo, e ao seu lado deitou Lola, e fez os dois enlaçarem as patas.

Antes de sair, olhou mais uma vez para Bárbara e soltou um urro assustador. Saiu sem se despedir e bateu a porta.

Teddy e Lola nunca mais brigaram.

E quanto aos pais de Bárbara, continuaram brigando. Porém todas as suas brigas passaram a ter o acompanhamento de uma crise de urros de Bárbara.

* * *

P1: Ao menos, já é uma evolução…

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Uma resposta

  1. Seria interessante mostrar esses textos para o professor Jefferson! Para ele ver mais de perto os produtos de suas aulas.

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