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    Especial FLIP 2008
    Com Carolina Lara e Jacqueline Lafloufa
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Como ter sempre idéias novas

A grande questão é: para guardar idéias, você precisa primeiro ter as idéias. E isso é um pouco mais difícil, mas não é impossível. Estar aberto às idéias que te cercam no seu dia-a-dia é uma questão de costume. Quase uma filosofia de vida, um mantra: estou aberto à novas idéias.

Para ser mais criativo, é preciso incorporar processos ao seu cotidiano. Não dá para parar tudo e esperar a criatividade chegar. É preciso trabalhar com ela, manipular, esperar a idéia consolidar, buscar outras fontes.
E existem alguns jeitos fáceis de fazer o seu dia-a-dia se tornar mais criativo:

  • Leia mais, leia sempre, e leia de tudo
    Não interessa o assunto, a especialidade, mas é preciso buscar informações novas. Ler traz assuntos que talvez você não conheça, ou visões diferentes da sua. E conhecimento nunca é demais
  • Assine feeds, jornais, revistas
    As assinaturas, sejam elas virtuais ou físicas, fazem com que a leitura seja uma nova rotina do seu dia. Não é preciso lembrar de ir buscar a informação, ela chegará até você
  • Pesquise
    Você leu algo e faltou alguma informação? Procure responder às suas próprias perguntas, eliminando questionamentos e consolidando suas idéias
  • Colecione informações relevantes
    Se você tem um interesse específico, colecione informações; recorte revistas, salve bookmarks, junte notícias.
  • Faça contato
    Conhece algum especialista em um assunto que te interessa? Entre em contato. Use de toda a sua sinceridade atrelada a sua curiosidade e gentilmente peça informações ou sugestões
  • Reflita
    Não adianta desembestar colecionando dados, lendo horrores, se não houver algum tempo para refletir e pensar sobre suas idéias. Dê a elas um tempo, para que possam fermentar e fazer o resultado crescer
  • Comente o trabalho alheio
    Fazer considerações sobre o trabalho de outras pessoas também ajuda a criar um espírito crítico; criar o hábito de analisar pode render considerações interessantes
  • Faça parte de discussões, opine, contribua
    Entre em listas de discussões, fóruns, conversas de bar. Procure ouvir as opiniões das pessoas, emitir a sua, encontrar um ponto comum, ressaltar as diferenças. Essas análises podem render idéias interessantes.

São hábitos que não precisam ser concomitantes. Escolha os que melhor se encaixam no seu estilo de vida, no seu cotidiano, e faça deles uma rotina. Assim, sempre vai ter alguma idéia para você trabalhar melhor.

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7 Respostas

  1. jacque
    esse tipo de texto com títulos auto-explicativos ou que supõem a solução de todos os problemas me incomodam absurdamente.
    não acredito que existam leis, regras ou fórmulas para conseguir idéias. acho que elas surgem passivamente, através do desenvolvimento intelectual de cada indivíduo. cada pessoa tem sua maneira própria de entrar em contato com informações, trabalhar, e fazer com que a aprtir delas surjam novas idéias.
    quando voce se propõe a levantar ‘dicas’ que supostamente auxiliariam na geração de idéias, está transformando esse processo uma tarefa tão mecânica quanto escovar os dentes.

  2. Vou colocar aqui uma carta que acabei de ler, do Caio Fernando Abreu, falando sobre esse assunto também:

    “Você quer escrever. Certo, mas você quer escrever? Ou todo mundo te cobra e você acha que tem que escrever? Sei que não é simplório assim, e tem mil coisas outras envolvidas nisso. Mas de repente você pode estar confuso porque fica todo mundo te cobrando, como é que é, e a sua obra? Cadê o romance, quedê a novela, quedê a peça teatral? DANEM-SE, demônios. Zézim, você só tem que escrever se isso vier de dentro pra fora, caso contrário não vai prestar, eu tenho certeza, você poderá enganar a alguns, mas não enganaria a si e, portanto, não preencheria esse oco. Não tem demônio nenhum se interpondo entre você e a máquina. O que tem é uma questão de honestidade básica. Essa perguntinha: você quer mesmo escrever? Isolando as cobranças, você continua querendo? Então vai, remexe fundo, como diz um poeta gaúcho, Gabriel de Britto Velho, “apaga o cigarro no peito / diz pra ti o que não gostas de ouvir / diz tudo”. Isso é escrever. Tira sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a “função social”, nem nada, não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto-exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te. Você não está com medo dessa entrega? Porque dói, dói, dói. É de uma solidão assustadora. A única recompensa é aquilo que Laing diz que é a única coisa que pode nos salvar da loucura, do suicídio, da auto-anulação: um sentimento de glória interior. Essa expressão é fundamental na minha vida.

    Eu conheci razoavelmente bem Clarice Lispector. Ela era infelicíssima, Zézim. A primeira vez que conversamos eu chorei depois a noite inteira, porque ela inteirinha me doía, porque parecia se doer também, de tanta compreensão sangrada de tudo. Te falo nela porque Clarice, pra mim, é o que mais conheço de GRANDIOSO, literariamente falando. E morreu sozinha, sacaneada, desamada, incompreendida, com fama de “meio doida”. Porque se entregou completamente ao seu trabalho de criar. Mergulhou na sua própria trip e foi inventando caminhos, na maior solidão. Como Joyce. Como Kafka, louco e só lá em Praga. Como Van Gogh. Como Artaud. Ou Rimbaud.

    É esse tipo de criador que você quer ser? Então entregue-se e pague o preço do pato. Que, freqüentemente, é muito caro. Ou você quer fazer uma coisa bem-feitinha pra ser lançada com salgadinhos e uísque suspeito numa tarde amena na CultUra, com todo mundo conhecido fazendo a maior festa? Eu acho que não. Eu conheci / conheço muita gente assim. E não dou um tostão por eles todos. A você eu amo. Raramente me engano.

    Zézim, remexa na memória, na infância, nos sonhos, nas tesões, nos fracassos, nas mágoas, nos delírios mais alucinados, nas esperanças mais descabidas, na fantasia mais desgalopada, nas vontades mais homicidas, no mais aparentemente inconfessável, nas culpas mais terríveis, nos lirismos mais idiotas, na confusão mais generalizada, no fundo do poço sem fundo do inconsciente: é lá que está o seu texto. Sobretudo, não se angustie procurando-o: ele vem até você, quando você e ele estiverem prontos. Cada um tem seus processos, você precisa entender os seus. De repente, isso que parece ser uma dificuldade enorme pode estar sendo simplesmente o processo de gestação do sub ou do inconsciente.

    E ler, ler é alimento de quem escreve. Várias vezes você me disse que não conseguia mais ler. Que não gostava mais de ler. Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Ou escreva então para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. E eu acho — e posso estar enganado — que é isso que você não tá conseguindo fazer. Como é que é? Vai ficar com essa náusea seca a vida toda? E não fique esperando que alguém faça isso por você. Ocê sabe, na hora do porre brabo, não há nenhum dedo alheio disposto a entrar na garganta da gente.

    Ou então vá fazer análise. Falo sério. Ou natação. Ou dança moderna. Ou macrobiótica radical. Qualquer coisa que te cuide da cabeça ou/ e do corpo e, ao mesmo tempo, te distraia dessa obsessão. Até que ela se resolva, no braço ou por si mesma, não importa. Só não quero te ver assim engasgado, meu amigo querido. ”

    Não sei se a carta complementa ou se opõe ao que você disse, também nem estou aqui dizendo que Caio ou você está certa, o fato é que escrever é um mistério ainda.

  3. Rambo,
    Eu discordo um tanto de vc, mas entendo seu ponto.

    Eu acho que mostrar os jeitos como algo pode ser feito não significa tornar aquilo mecânico, mas mostrar as diversas formas de se fazer algo.

    No caso, vc tem razão: existem milhões e milhões de maneiras de fazer o que eu me proponho a “explicar”, que é buscar novas idéias. Talvez eu tenha que rever um tanto a forma como coloquei, para não parecer que isso é um tratado único sobre o tema. Tá mais pra um levantamento. Talvez tenha faltado questionar aos leitores sobre quais são os seus métodos de “busca de idéias”, ou como essas idéias surgem em suas cabeças.

    Cláudia,
    Eu gostei da carta.
    É interessante também pensar que ele fala sobre o processo de composição de uma obra literária, mas eu me questiono: sempre poderemos escrever só quando quisermos? Se vamos ser profissionais da escrita, poderemos dizer “Ah, desculpa, mas eu sou um literato e eu não sigo prazos”.
    Por mais que uma obra literária possa levar anos e anos para ficar pronta, um texto que algum profissional precisa escrever TEM QUE ficar pronto dentro de um tempo.
    E infelizmente eu acho que a gente vai ter que aprender a escrever “só porque todo mundo nos cobra e porque acham que temos que escrever”.

  4. acho que voce está muito presa ao fato de que todos nós teremos que ‘vender textos’, jacque. sinceramente isso não me parece importante porque as pessoas que desejam prosseguir na carreira relacionada aos estudos literários devem ter mais um milhão de atributos além de escrever bem. elas tem que falar um milhão de línguas, conhecer bem o repertório técnico (com isso quero dizer a ficção, a teoria, crítica, historiografia, não somente dos estudos literarios senão das ciências humanas em geral), analisar, desenvolver reflexões e finalmente saber articular todo conhecimento dele a fim de transmiti-lo às pessoas. com tudo isso, escrever parece um breve exercício complementar. e além do mais não acredito que o nosso curso seja uma fábrica de escritores ou nem sequer de pessoas que necesariamente trabalharão com textos.

    e quanto à carta, cláudia, ela vai de encontro com aquele outro post do werner, no qual ele falava do patrão dele e das pessoas que pagam para receber o texto e no final acabam interferindo no trabalho de quem está escrevendo.
    só que acho que você entendeu errado porque a jacqueline está falando sobre construção de idéias e não sobre fazer literarura. para mim idéia é uma coisa mais ampla, pode estar relacionada a criação artística no cinema, na dança, na televisão, na internet, nas artes plásticas e não obrigatoriamente ao texto escrito. até porque nem tudo que você se proponha a expresar vai ser expresso de forma escrita. e nem todas as idéias que você obtém partem dos textos.

    mas aqui acho que já estou me prolongando demais e provavelmente confundindo vocês duas

  5. É, eu me confundi mesmo. Entre ter idéias e escrever há um grande caminho. E é só isso 🙂

  6. […] depois de todo esse tempo publicando no Ambidestria, eu percebi que o Rambo estava certo quando me deu um puxão de orelha: escrever não pode ter um fim tão explícito. Não […]

  7. […] se no meio do caminho as idéias começarem a se perder, talvez as idéias que dei nem te sirvam, e você prefira encontrar um livro num banco da praça e a partir dele ter idéias […]

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