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    Especial FLIP 2008
    Com Carolina Lara e Jacqueline Lafloufa
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o sétimo quarto

(eu conheço o barulho dessa porta quando fecha)

[ é. eu também sei o peso dessa porta]

o corpo rijo não mente. quantas despedidas tortas: chego em casa derrotada. queria entender para onde vai isso tudo depois. depois de realizada a curva inevitável do fim do dia. depois de esgotadas as histórias bonitas. depois de contadas as histórias das tradições passadas e das tradições passadas. a memória falseia e seleciona aquela imagem do abraço dado duas vezes. do abraço contido que não pôde nem sequer balbuciar o óbvio. o sol é desinteressado nos homens.

nesse corredor não entram frases. nem quases.

cinco horas da tarde e estou debaixo de um toldo verde. a velhinha passa devagar. é eterno vê-la tentando atravessar a rua. cinco horas da tarde e daqui a pouco eu tenho que ir.

o lugar da onde vim tem braços que me esperam.

temos que ser delicados. o abismo é logo ali. e eu tenho tantos medos. o metrô à noite me engole. devem ser as paredes extremamente pálidas. um sanatório vagante, sempre sobre os mesmos trilhos. Vai. Volta.

aborreço-me por volta da meia madrugada. o tempo é seco. meu nariz é seco. saúde! meus filhos me escapam na frente da televisão. que noite amorfa – mal consigo tocá-la. muitos começos de contos. e nenhum fim.

nessa hora a música explode. quanta invasão.

um tal de som que te força a tirar sua próprias conclusões sobre o ritmo. meu coração desfalece. a cabeça pensa. os olhares lânguidos. tudo truncado. Tudo. e o corredor ainda um risco.

às vezes, o gostar muito é um eu te amo enroscado nas ranhuras da garganta.

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4 Respostas

  1. Eu estou muito apaixonada
    pelo seu texto, posso colá-lo na parede?

  2. A última frase é.

    Saudades de vc!

  3. Mariana, “às vezes, o gostar muito é um eu te amo enroscado nas ranhuras da garganta.”

  4. mistura de sensações, mas bastante realista – porque a gente é mesmo misturado.
    engraçado este negócio do metro, que eu estava pensando nele ontem. concordo com o sanatório e com ele engolir. mas estava pensando também em uma ‘descida ao Hades’ a la Ulisses. Na cidade a gente te que enfrentar e ultrapassar a morte… só para chegar em casa.

    beijo, filha

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