• Veja também as capas anteriores!

  • Políticas do Ambidestria

    O Ambidestria todo está sob licença Creative Commons. Em caso de citação, não se esqueça de mencionar o nome do autor do post e o link direto para o post em questão. Não são permitidas alterações do texto.

    Veja mais detalhes na página de Políticas
  • Arquivo

  • Arquivo Especiais

    Especial FLIP 2008
    Com Carolina Lara e Jacqueline Lafloufa
  • Acesso para autores

o músico.

 

Do jeito que ele me olhava, eu me perdia. E era um desvia, olha, chama, olha de novo, que eu esquecia do resto que estava a minha volta. Esperava o dia amanhecer, tomar banho, ir pra lá só pra ficar de prontidão esperando ele passar e me dizer ‘Bom dia!’.
Em dias de sorte eu sorria e dizia também ‘bom dia’, mas por forças do destino e dos olhos daquele menino havia dias em que saia apenas um sussurrante ‘oi’, guaguejado e abafado pela minha ansiedade.

Ele tinha um violão, e eu nem ritmo tinha.

Em um dos dias em que eu não consegui dizer bom dia ele me olhou fundo e disse ‘é verdade que você escreve músicas?’

eu não escrevia músicas, era só um amontoado de palavras que juntas eram melhores que separadas. Mas eu só consegui dizer ‘sim!’

‘Escreve uma pra mim!’ ele me disse, e eu sem coragem de dizer que não conseguiria sugeri ‘a gente não tem papel aqui’

Ele abriu um sorriso. o sorriso mais sorriso que eu conhecia. Abriu os braços também e me falou ‘escreve nos meus braços’

Nunca tinha visto aquilo de escrever na pele o que tinha que estar no papel. Escrevi um poema que tinha feito por causa dele, meio tremendo, de encostar nos braços que eu sempre quis que encostassem em mim. Que caneta de sorte a minha.

ele pegou o violão, e sem tirar os olhos da minha letra ele cantou o meu poema. Tocava o violão, olhando os próprios braços. Olhava minhas palavras vendo a si mesmo.

Era justo..minhas palavras só tinham vida naquele corpo, naqueles braços, com aquela voz.

 

Anúncios

4 Respostas

  1. Sabe, são só comentários pontuais.

    Eu gosto do estilo curto. É sucinto, é direto, e o melhor: vc tem o talento de fazer isso em poucas linhas.

    Assim acontece de uma paradinha no PC possibilitar ler e ficar assim, pensando: quando eu crescer eu quero fazer disso também.
    Mentira, eu não quero, porque eu não tenho talento.

    Mas acho que vou começar a tentar implementar as “postagens” curtas no TecnoCria também.

    E olha, eu vi essa de escrever no corpo num filme chamado Livro de Cabeceira. A mulher japonesa era uma louca varrida que dormia com os caras e escrevia no corpo deles (inteiro).
    E o filme é cheio de nus desnecessários.

    Mas achei muito bonitinha a idéia de escrever nos braços. Bem mais sexy e bem menos incômoda do que a japa malucona que escrevia no corpo inteiro dos caras.

  2. Ei! Texto repetido não vale! =P

    Beijos, pequena!

  3. Dizer o que sobre o texto? Pura arte! Como tudo que sai dessa menina.

  4. Gostei! 🙂

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: