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Breve comentário sobre o relato “La muerte y la brújula” de Jorge Luis Borges.

j.l.borges“Un resplandor lo guió a una ventana. La abrió: una luna amarilla y circular

                           definía en el triste jardín dos fuentes cegadas.(…) Subió por escaleras polvo-

                           rientas y antecámaras circulares; infinitamente se multiplicó en espejos

opuestos”. (1996:505)

               

Quem nunca ouviu falar de Borges? Pois bem, é deste grande autor argentino que falaremos neste mês; só que desta vez não analisaremos sua obra poética e sim sua prosa rica e moderna. A maior dificuldade foi escolher sobre qual texto falar, uma vez que escreveu ensaios, contos e relatos até de coisas inexistentes…

Assim, aproveitando o tema de uma resenha que fiz para um curso sobre a 1ª fase deste autor, entraremos no mundo de La muerte y la brújula (A morte e a bússula), conto policial, enigmático e fundamental para os leitores desta coluna.

 

***

 La muerte y la brújula é um conto de Jorge Luis Borges, escrito em 1942 e publicado no livro Ficciones, de 1944. A argumentação deste conto gira em torno de uma série de crimes que ocorrem “en un Buenos Aires de sueños”. Seu protagonista é o detetive, “bibliófilo o hebraísta”, Erik Lönrot, que demostra enorme interesse sobre o tema de sua investigação: assassinatos envolvendo segredos judaícos e um mistério que só poderá ser decifrado com o uso de um “compás y una brújula”.

A escrita borgeana é labiríntica. O leitor, por descuido, pode acabar adentrando em seus textos por “veredas bifurcadas”, caminhos incertos ou árduos para sua compreensão. Para entendermos a afirmação de Silvia Molloy de que “En La muerte y la brújula se enfrentan dos lectores y triunfa el lector más complejo…”, devemos definir a tal complexidade que o leitor deve possuir para entender o conto.

No texto borgeano, em geral, é comum nos depararmos com livros que não existem ou com autores inventados, além de uma enorme quantidade de citações e referências. Sobretudo, Borges utiliza uma gama de conhecimento quase enciclopédico para desenvolver suas obras. Ao lermos seus textos, não podemos nos abster na simplicidade aparente da superfície. Se o fizermos, nossa leitura resultará, segundo Silvia Molloy, em “una lectura practicada de manera errónea e ineficaz”. Assim, seu leitor não deve ser totalmente ingênuo. Antes de tudo, deve estar ciente de que Borges relaciona o mundo real com o mundo ficcional, e estes se misturam sem nenhuma barreira.

Esse mundo ficcional é verossímil em seus detalhes. Seu narrador é aquele que participa dos acontecimentos, seja para opinar acerca dos fatos, seja para nos lembrar que estes não passam de ilusão/ficção. “Al sur de la ciudad de mi cuento” (1996: 524), é o que Borges nos diz, pouco antes do desfecho de seu quase “faroeste”, como que para trazer à realidade o leitor imerso na conspiração que permeia todo o conto.

Para Molloy, “la muerte del personaje borgeano coincide con frecuencia con el final de la lectura”. A personagem borgeana é o elemento que liga o texto (e suas complicações) ao leitor.  É sua existência que permite que o conto se desenvolva. Deste modo, não é apenas o personagem principal que morre; com ele se encerra a teia de argumentos que sustentava a trama. Podemos dizer que é o conto que “morre”. Seus alicerces – o suspense gerado pela investigação e toda a história paralela de Dandy/Red Sharlach – se dissipam em um desfecho inesperado e definitivo. Inesperado, pois durante toda a história, somos guiados pelas ações e resoluções de Eric Lönrot, portanto, sua surpresa diante da resolução final é a mesma que a nossa, meros leitores.

 

 

 

Bibliografia

 

BORGES, Jorge Luis. Obras Completas, Vol. I. Emecé Editores, Barcelona, 1996.

 

MOLLOY, Silvia. Las letras de Borges. [s.l], 1973.

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