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    Especial FLIP 2008
    Com Carolina Lara e Jacqueline Lafloufa
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Fotografia

– Tenho caído nas graças dos pequenos detalhes; são muito maiores que eu.

 

            Existe uma cidadezinha na Holanda rural que é de mentira – ou tão de verdade que é só de verdade: as casas todas iguais e verdes com a frente pentagonal como aquela que se desenha quando criança, e que quando crescido se aprende a outra dimensão e vira um poliedro cuja nomenclatura se estuda nas aulas de geometria e depois se esquece.
            Entre os heptaedros verdes quase que de lego passam canais cheios de um musgo de massinha bem verde, e cisnes; drenam para o porto onde os patinhos-feios esperam algum balde velho de pescador com restos de isca ser despejado ali.
            Roupas coloridas no varal decoram cada quintal com particularidade.
            Atrás da cerca um menino loiro brinca sozinho subindo e descendo no ar uma folha de árvore que ele deve ter escolhido cuidadosamente no chão como quando se compra um avião.
            Os turistas visitam um moinho escuro e vão embora.

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8 Respostas

  1. Vivi, pra mim você tem nexo….
    achei ele lírico…acho que é essa a palavra…mostra um cenário bucolico e que parece de mentira, e pode ser mesmo…como se fosse um sonho que existe…e ai que está a estranheza…uma coisa dessa, de sonho, e os turistas, que podem ser nós mesmos, ao invés de reparar nisso, o bonito, só vemos o obvio, o tal do moinho, que nem o mais bonito é…

  2. Não sei se sempre vemos só o óbvio, mas com certeza cada um vê de um jeito só seu; isto é, quando procura efetivamente ver, além de enxergar.

    Certa vez disse-me Tio Johnny:
    Somos todos turistas nessa vida.

  3. Que gostoso ler esse texto… Eu tb tive essa sensação: ué, estou conhecendo um lugar que eu sempre conheci mas nunca tinha ido… Em mim só tinha dado um nó na cabeça (vc poderia até acrescentar: os turistas visitam um moinho escuro e vão embora confusos..); agora foi colocado em palavras.
    Fez muito sentido pra mim também.
    Concordo que parece um sonho que existe.. pois se trata de algo presente (culturalmente) na nossa infância, mas pouco presente ou escondido quando crescemos. E esse algo talvez seja a essência (por isso nos ensinam a desenhar um lar, água, árvores, família, animais.. tudo bem colorido.. ) Mas depois na nossa vida a gente acrescenta uns sapatos e bolsas, conta bancária, vinganças, currículos e diplomas.
    Mas quem sabe a experiência dos turistas não seja tão passageira..

  4. me assusta um pouco essa coisa de perfeição, essa coisa de mundo-lego. pensando bem, a geometria também não me desce bem, essa coisa de tudo ser angular. e a forma como você descreve me lembra cortázar. muito bonito. com uma pitada de cinismo.

  5. Eu gostei.
    Principalmente do encanamento, do balde, dos cisnes e dos patinhos feios.
    É simples, parece um exercício…
    E faz você sentir alguma coisa.

  6. como eu dizia, se voce colocasse um personagem no meio da historinha, ela não ia funcionar. mas em se tratando somente da descrição achei impecavel! singelo como voce em pessoa, ; ) !

  7. tem tudo a ver com o titulo, a proposito…

  8. Adoro seus textos. Gosto muito desse jogo do diálogo com os procedimentos e temas do Drummond. Dá uma unidade muito interessante aos textos dentro do blog, de que o título dá a dica.

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