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    Especial FLIP 2008
    Com Carolina Lara e Jacqueline Lafloufa
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A Sorte Eterna

Hoje eu me sinto tão amado, embora eu não tenha nenhuma mão me segurando, que eu olho para o céu e vejo a Lua lá em cima e penso: então esse é o deus infinito do amor. E eu sinto o ar ao meu redor e eu saio para a rua. E há uma tristeza tão profunda em mim, como uma bandeira fincada em solo conhecido. Mas ela não dói, ela permanece ali parada como um fato, embora ela seja toda minha. Desse jeito ela é quase prazer, pois é através dela que eu volto a sentir, a noite, a Lua, cada um dos pequenos sons das casas ao meu redor, o som dos carros passando nas ruas vizinhas, os insetos no meio do mato. É através dela que eu volto a ficar um pouco mais perto do centro do mundo, como eu fiquei uma vez.

Então eu vou andando e o objetivo inicial era comer alguma coisa, qualquer coisa, só pra me livrar da minha fome, pra me deixar livre pra próxima coisa. Mas então me dá uma vontade de continuar andando, ir pra bem longe, pra outros lugares, mas não parar. Eu iria se eu tivesse alguém comigo, mas por quê? Por que iria comentar cada coisa que eu veria? Se a minha vontade agora não é falar, é só andar e ser atravessado por essa coisa que a noite me oferece. Pra isso eu não precisaria de ninguém. Eu só precisaria de mim mesmo sentindo isso.

Eu subo até um lugar que é um restaurante de dia, com a esperança que eles vendam comida de noite também, mas ele está fechado. Daí eu vejo a barraca de cachorro-quente e penso nessa possibilidade, mas eu desisto. Eu quero comida. E eu quero continuar andando, então pra mim é uma alegria fazer um desvio e fazer o caminho mais longo, eu só quero que isso não pare.

Então eu penso que no caminho eu vou encontrar alguém, eu sinto isso. Mas eu sei, por já ter sentido tantas esperanças como essa antes, que eu não vou encontrar ninguém. Ninguém vai me encontrar. Ninguém vai vir até mim. E talvez na vida. Eu tenho tanta certeza, mas talvez eu nunca encontre ninguém na vida, talvez ninguém venha até mim. Porque se a minha certeza pode estar errada nesse momento, ela também pode estar errada pra vida inteira. E eu sinto que ela pode estar errada.

É então que a minha tristeza começa a doer. E eu começo a sentir uma dor no peito como se algo tivesse sido enfiado nele agora. E então eu paro de falar comigo mesmo. E então cada coisa na noite passa a ser só um acidente, e não mais a sorte eterna de um menino de ouro.

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3 Respostas

  1. raoni, lindo – como sempre. só tenho 3 objeções (ressalvas):

    1- acho que as perguntas que você se faz durante o texto tiram uma certa credibilidade dele. parece que eu não estou mais lendo, mas conversando com o raoni.

    2- a barraca de cachorro quente não caiu bem. é uma coisa tão mundana, quase cafona. não tem muito a ver com o tom do resto do texto – que é profundo e fala das dores da alma.

    3 – o uso excessivo da palavra “então”

  2. linda a imagem da bandeira fincada em solo conhecido.

  3. olha o q eu acho:

    1- acho que o q eu queria fazer era exatamente isso… me aproximar mais de qm tá lendo, de uma forma q desmistifica q eu sou “o grande autor q tem a verdade” (ou q pelo menos tenta ser assim), e tenta trazer qm lê mais pra perto, pra tentar descobrir essas coisas juntos mesmo. E tbm não deixa de ser uma carência e um pedido de companhia tbm.

    2- isso acho q vai pelo mesmo plano tbm, de desmistificar as coisas e procurar ser sincero, pq nos meus devaneios a barraca de cachorro-quente tá ao lado da solidão eterna mesmo hehehe e não dá pra separar esses dois lados da vida, suprimir o lado mundano e fingir q ele não existe em prol do lado sublime.

    3- isso é erro mesmo, falta de revisão e cuidado meu.

    bom, tudo isso são coisas que eu to tentando, vai ver o estranhamento é pq eu ainda não consegui encaixar essas coisas direito, vai ver tem q ter o estranhamento mesmo, mas era só pra dizer q fora os entões hehehe as outras coisas não são gratuitas e não vem do nada e queria ver o q vc achava dos motivos.

    bjos

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