• Veja também as capas anteriores!

  • Políticas do Ambidestria

    O Ambidestria todo está sob licença Creative Commons. Em caso de citação, não se esqueça de mencionar o nome do autor do post e o link direto para o post em questão. Não são permitidas alterações do texto.

    Veja mais detalhes na página de Políticas
  • Arquivo

  • Arquivo Especiais

    Especial FLIP 2008
    Com Carolina Lara e Jacqueline Lafloufa
  • Acesso para autores

madrugada

O momento mais gelado da madrugada é aquele imediatamente anterior ao nascer do sol. Ela sabia disso, ouviu em algum lugar, mas quase sempre que tinha visto o sol nascer, não tinha se preocupado muito com o clima, estava, na maioria da vezes, ocupada. Dessa vez não. Acordou de madrugada com um nó na garganta causado pela tristeza de um sonho horrível. Olhou para o lado e ele ainda dormia lá. Quis abraça-lo, pra sentir que o sonho era só sonho. Mas ela não podia. Desse tempo todo que passaram juntos ela nunca foi tão dependente dele quanto agora. Justo agora que ele vai embora. Eles vão se separar, ela sabe. Ela disse que assim era melhor. Mas não era. Passou a mão no cabelo dele, e sentiu o cheiro que já tava acostumada a sentir nela mesma. Tentou dormir, não conseguiu. A madrugada ia passando e o sono não chegava. Mas ela tava calma, ouvia a respiração funda dele ao lado, e isso dizia, de alguma maneira, que ela tava protegida. Começou a chorar baixinho, amargando a saudade que já sabia que viria, uma hora ou outra. A saudade, aconteça o que acontecer, sempre vem. ‘Como é que eu faço pra te esquecer?’ Disse alto, sem notar que não era só pensamento. Tapou a boca com a mão. ‘shiiu, ele não pode perceber’. Tava começando a esfriar. Pegou o cobertor jogou sobre aquele moço imenso, que nem cabia na cama dela. Queria mesmo era tê-lo coberto com ela mesma. Ficar pequenininha no abraço dele. Pegou um cobertor pra ela também, voltou pro colchão e fechou os olhos. ‘Agora vou dormir’ – prometeu. Começou a pensar em como ele sequer demonstrava que sentia falta dela. Começou a pensar que talvez, de fato, ele não sentisse falta dela. Lembrou, em seguida, que era exatamente por isso que ele ia embora da vida dela. Era exatamente por ele não sentir, e não dizer que sente, que eles tinham que terminar. Quis chorar, mas o frio não deixou, ele a distraia. Esfriava cada vez mais, devia estar perto do sol nascer. Logo, o sol ilumina tudo e me esquenta, ele vai embora e você finalmente dorme. Mas depois, agora ela vai abraça-lo até o sol nascer, pra se aquecerem. Afinal, o momento mais gelado da madrugada é aquele imediatamente anterior ao nascer do sol.

Anúncios

Uma resposta

  1. Lindo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: