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    Especial FLIP 2008
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Passeio pela névoa

Eu fui ver a crueldade da natureza e percebi que nós somos a defesa. Toda a civilização tem sido uma defesa constante, temporal e inútil, contra a luz eterna da natureza.

Eu corto meu coração e o jogo ao fogo. Minha morte é também minha natureza. Assim como o antes do meu nascimento, o meu esquecimento e a minha memória. Cada uma das minhas banalidades é também um pedaço da vida. É também natureza. E eu corto meu coração e jogo ao fogo.

Ali entre os homens eu estava um pouco dengoso. Estava amoroso e agradecido por ter sido acolhido entre os outros como eu. Depois de acreditar que eles haviam me abandonado. Eu pensaria que os homens tão bárbaros, os que matam por sangue e os que comem carne vermelha na sexta-feira, cantariam uma música feita de grunhidos, de repetições compulsivas. Mas eles cantam melodias tão suaves. E eles choram ao cantá-las e ao ouví-las e nenhum deles tem medo de chorar na frente dos que lutam com eles todos os dias. É preciso um pouco de suavidade pra acreditar que a suavidade ainda existe.

Eu vi que eu sou imortal. Porque tudo que eu represento, tudo que me atravessa nesse instante em que eu digo “eu, eu estou vivo”, tudo isso continuará depois que eu morrer, quando um outro eu disser “eu ainda estou vivo”.

Eu tenho tanto medo de morrer. Eu tenho tanto medo que, eu morto, as coisas se dissolverão sem que eu possa ajudá-las. Tudo que eu amo e quero se perdendo num eterno futuro, no esquecimento dos outros que querem outras coisas.

Mas hoje eu acredito que eu não sou o único. Hoje eu acordei com vontade de mudar o mundo. Hoje eu acredito que tudo que eu preciso e amo, existe porque existe e existirá depois de mim. E se morrer completamente, se for pisoteado pela bota de todos os exércitos, no barro quente de todos os anjos, renascerá uma nova vez. Um outro, um outro.

Então hoje eu preciso continuar que eu continuo. Sim, eu continuo porque, apesar de todas as vezes em que eu morri, eu sou além de mim. Isso me fecha num triângulo em que cada lado me dá uma resposta diferente. E o centro é o silêncio mais sonoro do mundo. O centro é uma canção.

Eu te levei, meu amigo, segurando a tua mão, num passeio por uma manhã gelada. Te levei até a neblina e a neve. Te mostrei onde a névoa toca o dia. E agora eu te deixo, mão vazia, e são os teus passos os seguintes. Vá em frente. Eu te acompanho ausente.

 

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Uma resposta

  1. voce fala de mim, mas nos seus textos eu tambem sinto uma extrapolacao de limites. achei meio confuso. mas tem partes que eu gostei muito muito. o segundo paragrafo principalmente. acho que voce vai gostar de na natureza selvagem.

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