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    Especial FLIP 2008
    Com Carolina Lara e Jacqueline Lafloufa
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As delícias da literatura e da cachaça

Primeiro dia pós-FLIP e pós-Paraty: encantamentos com as palestras e as vontades de comprar muitos dos livros ainda permanecem, fígado se recuperando da degustação frenética de cachaças artesanais e a descoberta de uma nova paixão – a Gabriela, que leva cravo, canela, melaço e claro, a cachaça- cinco dias inesquecíveis.

Só é estranho escrever em prosa, não?

Mas a chefinha Lafloufa me ligou e pediu que eu escrevesse especialmente para o Ambidestria. E como ela é a Lafloufa-mãe-ambidestra e minha melhor-amiga/companheira-de-casa-e-de-curso, acho que não é um dever e sim um prazer fazer isso. (puxa-saquismo mode off agora)

Dia 02/07, 19 horas – Roberto Schwarcz

Fui basicamente para prestigiar esse velhinho ilustre e machadiano, e a partir dele, percebi que as outras palestras seriam fascinantes também.

Sobre o que ele falou? Hum, Dom Casmurro,  fazendo uma análise após a leitura do primeiro capítulo que fala sobre o porquê do título do livro. Foi-se levantado o que sempre vemos em relação ao livro: as semelhanças e coincidências ocasionais que permeiam a obra. Mostrou que há três tipos de leituras mais utilizadas: a romanesca, a patriarcal e policial, além da leitura de contra-fluxo, que rebate as bases das anteriores.

Ainda foi lida uma visão do começo do século XX, onde Bentinho era visto como um homem bom, e Capitu como uma megera manipuladora que se aproveitou da boa condição social e financeira do marido. Os elogios a Bentinho beiram o cômico, se pensarmos anacronicamente, porém, para a época patriarcalista de antigamente era até que bem plausível.

A sacada mais genial e que nunca tinha pensado antes (por isso que adoro várias discussões acerca de uma obra, a gente acha algo mais sempre em cada leitura), foi o fato da comparação entre o livro oferecido ao “poeta do trem” e o filho com a paternalidade duvidosa. O filho e o livro, por mais que tenham sido feitos por Dom Casmurro, o Bentinho, recebem uma alcunha de não propriedade, já que com o título, o livro pode ser do poeta do trem mais do que do próprio Bentinho, e o filho, Ezequiel, por sua semelhança com o melhor amigo do casmurro leva a dúvida sobre se ele é realmente seu filho.

“O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua.”

Temos muito o que desbravar ainda no grande Machado.

Dia 03/07, 11:45 horas – Elizabeth Roudinesco

A historiadora e psicanalista, amiga de Jacques Derrida, com quem até publicou um livro apareceu na FLIP para falar do seu novo livro: A parte obscura de nós mesmos – Uma história de perversos ( Jorge Zahar Editora) , que trata das facetas múltiplas da perversão, da oscilação do bem para o mal e do mal para o bem, gerando até uma metamorfose física (ela fez paralelos entre Dorian Gray de interior horrendo e exterior belo e Gregor Samsa, personagem de Kafka, com o interio belo e o exterior que causava náuseas), além claro, de mostrar que a perversão é uma coisa universal, uma parte maldita do ser humano que leva ao gozo. A pervesão (sexual) é intrínseca a sociedade e aceitável dentro de um certo limite. Ela mostra em seu livro as perversões em Liduína de Schiedam, Gilles de Rais ( o barba azul), Marquês de Sade, Rudolf Höss e o nazismo, entre outro e, na palestra, comentou sobre os limites possíveis na perversão.

Sade, Proust e Flaubert fazem uma exaltação do perverso, sendo que em Sade, esta assume um patamar que antes dele eram inimagináveis.

Ainda há uma referência a Freud, já que esse defendia que a perversão era sublimada a partir da literatura. As perversões sempre existem.

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