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Flip-Flap: Mesa "Guerra e Paz", com Pepetela e Chimamanda Ngozi Adichie

Flip-Flap: uma passadinha rápida e rasteira sobre os conteúdos apresentados nas mesas da Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty.

No sábado de manhã a primeira apresentação foi sobre literatura africana. Estavam na mesa Pepetela, Chimamanda Ngozi Adichie e o mediador José Eduardo Agualusa. O esquema seguiu como o de todas as outras mesas: cada autor lia um trecho de um livro seu e depois partia-se para comentários e discussões.

Pepetela, escritor angolando e ex-combatente da guerra de libertação de seu país, leu um trecho de Predadores; Chimamanda, nigeriana que viveu no pós guerra da Nigéria, leu parte de sua obra Meio sol amarelo.

Ambos tratam da temática da guerra, muito presente na vida dos africanos. Pepetela contou sobre suas experiências como comandante de uma pequena tropa. Segundo ele, Na guerra é muito difícil esconder o medo, mas depois que a guerra acaba, todos tornam-se heróis, até mesmo aqueles que tremeram. O que acontece é que, já que não existe outra saída, forma-se um movimento coletivo de coragem. Ele conta, inclusive, que guerrear naquele continente não se trata apenas de ter o melhor material bélico, mas de saber lidar com a cultura local para manter o controle sobre os soldados. Pepetela conta o caso da mandinga do “corpo fechado”: um comandante só era respeitado caso seus soldados soubessem (ou acreditassem) que ele tinha feito a mandinga, que garantia que o comandante estaria “blindado”. Guimarães Rosa ilustra uma situação semelhante no conto “Corpo Fechado”, na obra Sagarana.

Chimamanda trata do tempo antes e durante a Guerra da Nigéria. Ela contou que escreveu o que sentia se passar quando era criança e adolescente, pois todas as referências temporais tratavam do que acontecia antes e depois da guerra. Isso marcou de tal forma a sua vida que ela resolveu retratar sua preocupação com as relações sociais durante a guerra. Afinal, mesmo em tempos de guerra, pessoas se casam, se amam, têm filhos, e é isso que ela diz querer retratar: menos quem mata e quem morre, e mais a vida daqueles que sobrevivem a esse tipo de situação.

Tanto Pepetela quando Chimamanda ressaltaram que escrever sobre a guerra não é uma forma de dar valor a ela, mas que eles têm a função de escrever sobre o que o povo africano passa, escrever sobre a África. Pepetela inclusive diz que as pessoas mais capazes de fazerem a paz são aquelas que um dia fizeram guerra, ou seja, é mais fácil, segundo ele, que militares consigam promover melhor a paz do que os políticos.

Para Chimamanda, a primeira coisa que morre na guerra é a verdade, pois ninguém mais é sincero em relação a seus sentimentos, mas que ela é bastante reveladora: é num momento extremo como esse que as pessoas revelam sua relação com o mundo e com os outros de forma mais sincera.

No final da apresentação, Pepetela ressalta que um problema da literatura africana é a falta de conhecimento mútuo entre os escritores. Ele diz que muitos não se conhecem, e muitas vezes nem conhecem as obras dos conterrâneos. Para ele, isso seria um passo importante na valorização da literatura do continente africano.

Veja mais sobre a mesa Guerra e Paz no site oficial da FLIP

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