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A poesia da revolução…

“Otros lloran, yo me río,

porque la risa es salud:

lanza de mi poderío,

coraza de mi virtud.”

 

(Cuando yo vine a este mundo) *

 

NICOLÁS GUILLÉN (1902-1989)

 Cuba 

Nicolás Guillén é o grande poeta cubano, aclamado pelo povo como  o Poeta Nacional. Seu primeiro livro, Motivos de Son foi publicado em 1930.

Sua poesia é composta de dois temas principais: a figura do negro e a sociedade cubana. Sobretudo, Guillén fala do homem latino americano, do seu modo de vida e de suas particularidades. Em sua obra, encontramos diversas referências a dialetos afro-cubanos e muitas vezes a composição poética imita o som de instrumentos e ritmos negros.  Podemos destacar alguns momentos simbolistas em seus poemas, que influenciaram o poeta surrealista espanhol Federico Garcia Lorca.

Nicolás Guilén também foi militante comunista, apoiador da causa revolucionária. Por este motivo foi preso e perseguido até a eclosão do regime revolucionário de 1959.  

Em 2002, foi comemorado o centenário de seu nascimento. Esta data foi marcada por inúmeros eventos em Havana, onde seus descendentes criaram a Fundacion Guillén, responsável por colóquios e festivais que mantém sua poesia viva até os dias de hoje.

Agora, vamos aos poemas:

GLOSA/ Glossa

No sé si me olvidarás,/ Não sei se me esquecerás,
ni si es amor este miedo;/ nem se é amor este medo;

yo sólo sé que te vas,/
eu só sei que irás,
yo sólo sé que me quedo./
eu só sei que fico.
                            

(Andrés Eloy Blanco)

1

Como la espuma sutil/Como a espuma sutil
con que el mar muere deshecho,/com que o mar morre desfeito,
cuando roto el verde pecho/
quando quebrado o verde peito
se desangra en el cantil,/
se desangra no cantil,
no servido, sí servil,/
não servido, sim servil,
sirvo a tu orgullo no más,/
sirvo a teu orgulho não mais,
y aunque la muerte me das,/e ainda que a morte me dá,
ya me ganes o me pierdas,/
já me ganhes ou me percas,
sin saber que me recuerdas/
sem saber que me lembras
no sé si me olvidarás./
não sei se me esquecerás.

2

Flor que sólo una mañana/Flor que só uma manhã
duraste en mi huerto amado,/
duraste em minha horta amada,
del sol herido y quemado/
de sol ferido e queimado
tu cuello de porcelana:/
teu colo de porcelana:
quiso en vano mi ansia vana/
quis em vão minha ansia vã
taparte el sol con un dedo;/
te cobrir o sol com um dedo;
hoy así a la angustia cedo/hoje assim a angústia cedo
y al miedo, la frente mustia…/e ao medo, a testa murcha…
No sé si es odio esta angustia,/Não sei se é ódio esta angústia,
ni si es amor este miedo./
nem se é amor este medo.

3

¡Qué largo camino anduve/Que largo caminho andei!
para llegar hasta ti,/
para chegar até você,
y qué remota te vi/
e que remota te vi
cuando junto a mí te tuve!/quando junto a mim te tive!
Estrella, celaje, nube,/Estrela, disfarce, nuvem,
ave de pluma fugaz,/
ave de pluma fugaz,
ahora que estoy donde estás,/agora que estou onde estás,
te deshaces, sombra helada:/te desfazes, sombra gelada:
ya no quiero saber nada;/
já não quero saber nada;
yo sólo sé que te vas./eu só sei que irás.

4

¡Adiós! En la noche inmensa,/Adeus! Na noite imensa,
y en alas del viento blando,/
e em asas do vento brando,
veré tu barca bogando,/
verei teu barco (…),
la vela impoluta y tensa./
a vela (…) e tensa.
Herida el alma y suspensa,/
Ferida a alma e suspensa,
te seguiré, si es que puedo;/
te seguierei, se é que posso;
y aunque iluso me concedo/e ainda que iludido me concedo
la esperanza de alcanzarte,/
a esperança de te alcançar,
ante esa vela que parte,/ante essa vela que parte,
yo sólo sé que me quedo./
eu só sei que fico.

PUENTE/ Ponte

¿Lejos?/Longe?

Hay un arco tendido/Há um arco tenso
que hace viajar la flecha/
que faz viajar a flecha
de tu voz./de tua voz.

¿Alto?/Alto?

Hay un ala que rema/
Há uma asa que rema
recta, hacia el sol./
reta, até o sol.
De polo a polo a una/
De polo a polo a uma
secreta información./
secreta informação.

¿Qué más?/Oque mais?

Estar alerta/Estar alerta
para el duro remar;/
para o duro remar;
y toda el alma abierta/
e toda a alma aberta
de par en par./
de par em par.

*          *          *          *          *          *          *          *          *          *          *          *         

 

* “Outros choram, eu sorrio,

porque o riso é saúde:

lança de meu poderio,
couraça de minha virtude.”

 

(Quando eu vier a este mundo)

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Uma resposta

  1. Literalmente falando, eu acredito que sua coluna é uma das mais enriquecederoas do Ambidestria.

    Continue assim!

    E obrigado por toda informação que obtive através dessa coluna…

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