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O cair das horas…

“O único que me dói de morrer é que não seja de amor”

Gabriel Garcia Marques

O amor nos tempos do cólera

“Ter medo? De quem terei?

Não da Morte – quem é ela?

Emily Dickinson

Autora: Josefina Plá

País: Paraguai

Comida: sopa paraguaia (torta de milho e queijo) e goiabada.

Música: guarânias e polca.

Josefina Plá é a poetisa paraguaia por excelência. Apesar de ter nascido na Espanha, mudou-se com o marido, ceramista paraguaio, para Assunção, em 1927. Além de escrever poesias, foi ensaísta, dramaturga, jornalista, crítica, novelista e artista plástica

Sua importância como literata a coloca no patamar de autoras como Clarisse Lispector, Isabel Allende e Gabriela Mistral. Com estas, compartilha a chamada “temática feminina”, ou seja, assuntos comuns entre estas escritoras latino americanas, como o subjetivismo, o erotismo, certo engajamento político e uma tendência à um espaço psicológico bastante definido em suas produções.

Apesar de ser autora de peças teatrais premiadas, que buscavam uma valorização da cultura Guarani para o Paraguai, neste mês abordaremos sua obra poética, principalmente em um de seus últimos poemários, La llama y la arena (A chama e a areia), de 1987.

Para alguns críticos, os poemas de Josefina Plá estão inseridos em um mundo de sombras, trágico, onde a dor, a solidão e a morte interagem, resultando no fim de todas as coisas. O elemento que mais colabora com a tragicidade é o erotismo, que a autora denvolveu principalmente durante a década de 60. Estão sempre presentes referências ao corpo feminino, o que reforça o erotismo e a sexualidade dentro dos versos, que trazem o amor ligado ao sofrimento, geralmente causado pela morte

O tema da morte é tratado de forma obsessiva e pessoal, apesar de seus poemas não serem autobiográficos. São geralmente curtos, breves, sintéticos, tal qual a vida se apresenta para a poetisa.

Quase sempre, Plá prefere as rupuras de versos, sons e aliterações inesperadas, evitando a rima. Com estes recursos, sua poesia é a própria metáfora da efemeridade da vida, que pode interromper-se bruscamente com a morte, além de trazer a modernidade para a literatura paraguaia.

Então, vamos aos poemas…

Las puertas /As portas

…Un cerrarse de puertas, /… Um fechar de portas,

a derecha e izquierda; /a direita e a esquerda;

un cerrarse de puertas silenciosas, /um fechar de portas silenciosas,

siempre a destiempo, /sempre extemporâneamente,

siempre un poco antes /sempre um pouco antes

o un momento demasiado tarde; ou um momento demasiado tarde;

hasta que solo queda abierta una, /até que só fique aberta uma,

la única puntual, /a única pontual,

la única oscura, /a única escura,

la única sin paisaje y sin mirada. /a única sem paisagem e sem olhada.

Quiso el tiempo /Quis o tempo

Quiso el tiempo mirarse en un espejo/ Quis o tempo olhar-se em um espelho

y se puso mis ojos /e colocou meus olhos

Quiso tener reloj para sus sueños /Quis ter relógio para seus sonhos

y se vistió /e se vestiu

mi cuerpo /de meu corpo

Quiso dar un nombre a su cosecha /Quis dar um nome a sua colheita

y me dio voz y acento /e me deu voz e acento

Y fui tiempo vestido de mujer: /E fui tempo vestido de mulher

hipotecado tiempo /hipotecado tempo

que termina /que termina

mirando al tiempo que no tiene término. /olhando ao tempo que não tem término.

…Me dio el amor /…Me deu o amor

para seguir mirándome /para seguir me olhando

sin mi /sem mim

en otros espejos /em outros espelhos

1951

Metafísico

Cada vez que te pienso te crezco y te me alejo

Te llevo más allá de mi última frontera

Te sumo y potenciando tu horizonte neonato

Agrando el impossíble para mi sed viajera

Pero a la vez y sin querer crezco por dentro

Subiéndome a mi torre de muerte veo más lejos

U al par del nuevo límite se me aleja mi centro

Como si él fuese parte del horizonte viejo

……………………………………………………………………….

Este es el duelo antiguo la apuesta con tu abismo

No alcanzarás el límite sin perderte tú mismo

En el país que crece para agrandar destierros

1975

Metafísico

Cada vez que te penso, te aumento e me afasto

Te levo mais além de minha última fronteira

Te somo e potenciando teu horizonte neonato

aumentando o impossível para minha sede viajeira

Mas às vezes e sem querer cresço por dentro

Subindo em minha torre de morte vejo mais longe

Ou junto do novo limite se afasta meu centro

Como se ele fosse parte do horizonte velho

…………………………………………………………………

Este é o duelo antigo a aposta com teu abismo

Não alcançarás o limite sem perder a ti mesmo

No país que cresce para aumentar desterros

Mais sobre Josefina Plá:

Plá, Josefina. La llama y la arena. Alcandara Editora, Asunción del Paraguay, 1987.

http://www.secrel.com.br/jpoesia/ag8pla.html

http://members.tripod.com/~lfilipe/LLobo.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/ (mais info sobre o Paraguai).

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Uma resposta

  1. ‘Não alcançarás o limite sem perder a ti mesmo.’

    Já passei do limite e já me perdi há tanto tempo que mal me lembro quem sou. Não conhecia Josefina Plá, mas ela caiu como uma luva, melhor, um martelo sobre minha cabeça. Já que ela não era autobiográfica, sabia muito bem escrever sobre os outros, escreveu sobre mim antes mesmo de eu ter nascido.

    Beijos Karen,

    e mais uma vez, parabéns.

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