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    Especial FLIP 2008
    Com Carolina Lara e Jacqueline Lafloufa
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Calmaria

Nos dias de tempestade os Pescadores não vão pescar. Eles vão para a casa dos pescadores, tecer redes e fazer um círculo em volta do fogo. E olham com tanto detalhe para os pontos nas redes que as sombras do fogo se lhes projeta nos olhos.

Esses são os últimos sonhos da noite. Os mais atormentados. Quando o corpo luta entre a revelia e o sono. E nós somos contados histórias que nem nossos pais nos contaram. Nos contam segredos que nós depois esquecemos ou que temos medo de contar para os outros. Nossas dores nas costas nos atormentam os olhos. As aranhas marcham sobre os nossos colchões. É terror. Mas eu gosto. Há uma morte que é necessária. Tudo que é despejado e execrado nesse mundo tem o valor do lixo, e ninguém tem o direito de tirar esse valor. E deus abençoa aqueles que destroem, como aqueles que progridem regredindo. E nada nesse mundo acontece sem o seu completo oposto acontecendo paradoxalmente em qualquer outro lugar. Eu sei disso. E é por isso que nada pode ser feito realmente. E tudo está certo.

Vem espantalho. Vem carpinteiro. Vem bobo da corte. O melhor dos concertos. O melhor dos homens é aquele que tem duas caras. Uma ri e baba. A outra chora e se compadece. Uma rejeita. A outra sente. Abençoado é aquele que tem dois e não um. Pois nele há esperança. Essa dona simpática que salvou minha vida.

Obrigado.

Estou triste porque você foi embora e porque eu não tenho mais você e porque agora minha vida é triste, eu não tenho mais a companhia que eu tinha com você. Mas aquele sonho era tão pacífico. Nós não brigávamos e não havia ódio nenhum. Nós estávamos conversando. E eu vi aquele menino que tinha sido despejado. Toda a vida despejado. E ele estava com os amigos. Ele não estava mais sozinho. Eu fiquei feliz. Era tudo tão pacífico.

Agora eu acordo e você não está aqui. E não há ninguém como você. E eu, sem rostos, sou obrigado a conversar com as sombras do fogo. Que são as únicas coisas que, corajosamente, me encaram. Vocês vêem qual é o risco de uma calmaria?

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4 Respostas

  1. hmmm. acho que eu gostei mais do comeco do que o fim. comecou quase borgeano mas o final foi meio final comum. nao sei. acho que me incomodou tambem a pergunta. talvez precise reler de novo. mas de toda forma o inicio eh fantastico!

  2. É, o fim ficou pacífico demais e meio melancólico?

  3. não, não é necessariamente isso que me incomoda. acho que é mais a forma como voce tratou a perda… acho que ficou meio lugar comum.
    “Agora eu acordo e você não está aqui. E não há ninguém como você”
    e quanto à pergunta, eu acho a idéia que ela passa muito legal e até quase fundamental para o fechamento cíclico do seu texto, mas talvez se voce tivesse passado essa idéia de forma afirmativa ficaria mais interessante. a pergunta me parece quase retórica…

  4. Entendi…

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