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    Especial FLIP 2008
    Com Carolina Lara e Jacqueline Lafloufa
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Cap. 2 – Jesus é a cura para todos os males.

Pedro Vitório caminhava devagar. Sua face demonstrava preocupação, insegurança e medo. Julgava-se homem, mas sentia-se uma formiga sob pés de gigantes. Os olhos vermelhos e as lágrimas que escorriam por sua pele mulata lhe davam um aspecto medonho. Parou. Observou um letreiro onde se lia:

IGREJA PENTECOSTAL DA FÉ DE ABRAÃO

“É a igreja dos crentes”, pensou.

Começou a recordar sua infância, quando ia à missa com seus pais e suas irmãs. Não gostava de ir à missa, mas seus pais o obrigavam a ir. A última vez que se confessou foi há treze anos, logo antes de se casar com Maria das Dores, filha de uma mulher que, por ter sido mãe solteira, era constantemente humilhada por fiéis de diversas igrejas. Pedro Vitório lembrou-se da mãe, D. Justina, cujo maior sonho era ver seus filhos casados na igreja. Ele, o filho, iria trabalhar e sustentar uma família que levaria adiante o sobrenome: da Cruz. Suas irmãs, Camilaine e Julips, se casariam e ensinariam a fé católica aos filhos que tivessem. Lembrou-se do pai, seu Adolfo, homem honesto, que dava duro para sustentar a família, mas ao mesmo tempo exigia ser tratado como a autoridade da casa. Sustentava a família sozinho, mas não admitia que alguém, muito menos a esposa, o desobedecesse. Seu Adolfo tinha um carinho especial por ele, Pedro Vitório. Sempre dizia “você é meu único filho homem”. Seu Adolfo era muito temente a Deus e também queria ver todos os filhos casados na Igreja.

Na adolescência, Pedro Vitório conheceu Maria das Dores. Sua família, a princípio, fora contra o casamento por ela não ser moça batizada, mas dizem que o amor sempre vence, e, neste caso, venceu: ambos ficaram juntos. Maria das Dores, embora nunca tenha tido interesse em seguir uma religião, submeteu-se à catequese. Foi batizada, fez primeira eucaristia e a crisma, tudo no mesmo dia. Depois, ela e Pedro Vitório se casaram na igreja.

D. Justina, inicialmente com medo de que Pedro Vitório se afastasse de Deus devido às más influências de Maria da Dores, emocionou-se ao ver a moça se converter a Cristo e se casar com um cristão que ela mesma havia colocado no mundo e educado na fé. “Meu filho salvou uma alma”, dizia ela, orgulhosa.

E agora ele estava ali, diante de uma igreja, sentindo-se desesperado e sem saber o que fazer. Entraria? Não podia. Era católico, a igreja dele era outra. Mas porque não entrar? Deus é um só. Os crentes também são filhos de Deus, não são? Lêem a bíblia, vão à igreja… Talvez devesse ser crente, pois como católico só se lembrava de Deus quando precisava de uma graça. Nos momentos de desespero ele rezava o terço, ia à missa e fazia promessas. Após conseguir a graça, ficava imaginando se houve mesmo intervenção divina ou se não passava de mera coincidência. Não pagava a promessa. Mais tarde, quando precisava de outra graça, arrependia-se por não ter sido honesto com Deus, pedia perdão e jurava jamais duvidar novamente da divina providência.

Lembrou-se de quando seu filho mais velho ficou doente: pôs-se logo a rezar pela saúde do menino, prometeu um frango para a quermesse da igreja, ir à missa todos os domingos e tornar-se dizimista. Bastou o filho melhorar para ele esquecer as promessas. O frango, que já havia sido comprado e aguardava a graça para ser levado à igreja, virou o almoço do primeiro domingo em que ele faltou à missa após ter feito a promessa. O filho havia melhorado por causa dos remédios que o doutor tinha dado. Jesus não tinha a ver com aquilo. Bobagem acreditar nessas coisas. Como somos bobos nos momentos de desespero! Riu-se.

Arrependeu-se. Era um pecador. Um ordinário. Mobilizava todos os santos do céu para conseguir uma graça e logo depois os desprezava. Como duvidar de Jesus, homem santo que sofreu tudo aquilo para salvar a humanidade? O rosto de Pedro Vitório, quase seco, voltou a se cobrir de lágrimas. Talvez precisasse da igreja dos crentes. Crente não se esquece de Deus quando não precisa dele. Entraria? O pastor estava pregando. É sempre bom ouvir a palavra de Deus, especialmente nos momentos de angústia. Toda religião é de Deus. Por que não entrar? Entrou.

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