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    Especial FLIP 2008
    Com Carolina Lara e Jacqueline Lafloufa
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e sempre a mesma pergunta…

Você não tem ciúme? Não, eu não tenho ciúme. Você não gosta de mim, é isso. Só porque não tenho ciúme quer dizer que não gosto de você? Não gosta, se gostasse teria ciúme, iria cuidar de mim. Cuidar de você não significa não gostar que você tenha contatos com o resto do mundo. Você confia demais em mim. Não deveria confiar? Não. Não? Essa tua confiança excessiva só me subestima. Sua louca, ela te enaltece. Não, ela me subestima. Você sabe da minha insegurança, sabe que eu dependo de você e é por isso que você não sente ciúme. Mentira, eu não sinto ciúme porque confio no amor que a gente tem um pelo outro. E quem disse que você me ama? Ninguém precisa dizer, eu sinto. EU PRECISO DIZER, eu preciso que digam. É defeito meu, fazer o que? Gosto das coisas faladas, explicadas, ditas…no ouvido, na boca, gritadas, pro mundo todo ouvir. Eu gosto, é meu defeito. Não é defeito, é característica. Característica ruim pra caralho, logo, defeito. Você quer demonstrações públicas de afeto, é isso. Você quer que as pessoas olhem pra você e achem que você vive uma linda história de amor. Elas não precisam saber que eu vivo uma linda história de amor, mas eu preciso, preciso toda vez que acho que essa história só eu escrevo e você sai por ai interpretando o personagem que eu criei. Quer dizer que agora eu sou seu fantoche? Seu bonequinho? Valeu, querida, é assim que você diz que me ama? Eu quero te controlar e te fazer me querer, mas eu não consigo. Não, você não é meu fantoche, mas não por falta de vontade, e sim por falta de capacidade. Minha? Minha. Baby, você vai surtar se continuar com essas idéias. Eu surtei quando te conheci. É isso mesmo? Eu te faço mal? Não, você me faz bem demais. É o medo de perder isso que me põe maluca. Você é muito precipitada, a gente nem começou e você fica ai pensando em quando a gente vai terminar. A gente não vai terminar. A gente pode, por acaso, terminar. Não, a gente não vai terminar. Você não pode afirmar isso. Você não pode me negar isso. Você ta querendo dizer que agora eu me comprometi eternamente contigo? Tu te tornar eternamente responsável por aquilo que cativas. Lá vai, a letrete agora vai começar a citar. Cita em francês, egocêntrica. Tu es responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé. Como você consegue ficar ridícula fazendo esse bico. Pára, vai. Não começa a fazer graça que você me envergonha. Te envergonho ou te mato de rir? Eu sempre ri por educação. Mentira. Verdade. Duvido. Eu juro. Você não acredita em Deus, jura pelo o que? Pela minha dignidade. Qual? Nojento. Não tem dignidade mesmo. Você se rasteja por mim, como pode ser digna? Então amar você me torna indigna? É, exatamente isso. Ok, então, vou me tornar pura ficando com todos os seus amigos, depois com os seus colegas, até chegar nos inimigos e nos desconhecidos. É bem a sua cara fazer isso. Eu não acredito que você disse isso, ta me chamando de vadia? Não, é que… Vadia, sim senhor. E vadia por tua culpa, eu seria uma santa se não tivesse te conhecido. Seria? Sim, quem sabe até ia pra um convento. Mas você não acredita em Deus. Quem disse? Você. Eu sempre acreditei em Deus, só dizia que não que era pra agradar o ateuzinho marxista que você era quando eu te conheci. Eu não sou marxista. Lógico, você nem sabe quem é Marx, nunca leu nada dele, só fazia pose com o cabelo comprido e barba longa. Você sempre gostou do meu cabelo, não começa. Gostei, e o que foi que você fez? Cortei. Cortou. Pelo que? Por nada. Pelo que, me diz? Por nada. Diz, pelo que? PRA TE MACHUCAR, PORRA. Eu sempre quis te machucar. Eu quero te machucar. Já conseguiu, parabéns. Mas você continua sorrindo…pára de sorrir. Não. Pára. Não. Mas pra que me machucar? Porque você nunca sente dor. Eu sinto. Sente? Sinto. Então me diz por que é que nunca sentiu que eu te amo. Você me ama? Amo, imbecil.

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3 Respostas

  1. tenho impressão de que já vivi isso… impressão?
    Cada vez mais viva, mais ardente… ADOREI!
    Parabéns!

  2. Achei muito interessante o seu estilo narrativo. Muito inovador dar fluência ao diálogo usando negritos para separar as falas de uma e de outra personagem, mas eu, por uma questão de gosto, evito este seu estilo cinematográfico de narrar. Acho que uma boa narrativa deve ser degustada aos poucos, sem pressa, como um bom vinho. Porém, fiz um esforço inicial para conseguir ler isto e valeu a pena: quando eu estava na metade do texto já me sentia ambientado na história e nem dei mais bola para o seu estilo.
    Com relação ao conteúdo do texto e à maneira como foi transmitido você mandou muito bem. Porém, faço uma ressalva: a falta de clímax cria um clima de tédio, exigindo que o leitor faça certo esforço para continuar a leitura sem se sentir intrigado para conhecer o resto do texto.

  3. hahaha muito bom,
    lembra bastante aquele casal MALUCO do eu-sei-que-vou-te-amar

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