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    Especial FLIP 2008
    Com Carolina Lara e Jacqueline Lafloufa
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Sextina incerta, sexta parte da cesta.

Raios fumegantes em ondas
fazendo novos desenhos em
elementos já antes conhecidos.

[Uma das minhas ainda poucas brincadeiras poéticas]

Estonteante faceta de perto,
tropeçando em um vivo novo surto
da alma desperta.Luta contra o fácil,
vive do pensar livre e pouco frágil,
agindo em marés de forte ressaca
contra feridas de ponta de faca;

gera músicas que partem a faca,
enreda a fuga ágil além do perto,
que a liberta de uma torpe ressaca.
Como num pulo, constata no surto
o quanto do paradoxo é bem frágil
entre o que é difícil na vida e o fácil.

Vida, algo bem múltiplo, nada fácil,
serve como convém, tal qual a faca:
instrumento de arte de lidar frágil;
de feridas quando próxima ao surto
intenso e tenso, que se nota perto
pelo urro lacerante da ressaca.

Dor traz na certeza pela ressaca
que o desejado nunca será fácil
se o momento certo não está por perto
para um só golpe certeiro da faca,
aquele que no momento do surto
rompe barreiras pela mão bem frágil.

Livrando-se do peso do ser frágil
e pensando na força da ressaca,
a alma pode dar um grito de surto
e esquecer da luta com o ser fácil
para arriscar na ferida da faca
a chance de ter algo novo perto,

e dando mais cores a tudo perto,
explora o curioso ser por frágil
controle do alcance real da faca
e, misturando fatos a ressaca
mostra que o difícil pode ser fácil
e que do inesperado surge o surto.

Vendo tudo além do surto e do perto
pode-se até fugir fácil do frágil
e sentir na ressaca o tom da faca.

Eis a pequena experiência aqui mostrando suas falangetas, depois de muitas alterações e revisões, depois do mergulho surdo no mundo das palavras, depois sofrimento com a contagem dos decassílabos (sinto que devo ter errado em algo), depois de novas significações que levaram a novas conclusões, e por conseqüência, a novas significações.

Depois de tudo, o prazer de algo inusitado e até então muito além dos meus limites.

Uma sextina, seis palavras, seis vezes seis universos.

Para o mês que vem, o que farei?

Esperem e verão!

Até mais!

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10 Respostas

  1. As 6 faces das multi existentes. Mana, sou sua FÃ… Ressaca-morte-faca, vida-fácil-perto. V’s e R’s ressoando o surto-zumbido.
    Perfeita ;D

  2. Alá!
    Simplesmente sempre sensacional!

    beijos

  3. Carol, você é fantástica!!!

    Adorei estes seus decassílabos. As rimas seguem um esquema que já vi diversas vezes em redondilhas, mas nunca em decassílabos. No ano passado escrevi um poema (em redondilhos) com o mesmo esquema de rimas que você usou neste e foi o texto que mais me deu trabalho para parir (tudo bem que eu quis enfeitar demais colocando muitas rimas ricas, rs, mas mesmo assim…).
    As aliterações no final são fantásticas e, em uma estrofe de três versos, encerram o poema com chave de ouro, como se fosse um soneto.
    Você demonstrou ter grande talento e saber usar tal talento de maneira inovadora! Vai ser difícil esperar um mês para ler o seu próximo poema, rs.
    Acho que me empolguei um pouco,rs.
    Parabéns!

  4. só falo pq é vc e vc vai além das pessoas idiotas q iam simplesmente revirar os olhos:

    eu vejo uma diferença fundamental entre escrever e fazer exercícios de escrita. nao vou desenvolver acerca d qual ela seja. dentro dessa diferença há a consideração de q escritos a gente publica/divulga/mostra e estudos/exercícios a gente relê/repensa/refaz/aprende.

    eu vejo um motivo pra eles ficarem guardados.

    voce está brincando de ostra. fazendo pérolas. voce pode polir e dedicar a sua vida e fazer isso maravilhosamente bem.

    eu, no entanto, nao vejo significado nenhum até que a ostra se abra e perca sua pérola. as duas juntas nao têm nenhuma utilidade.

    sinto falta da carol que nao coube em 10 sílabas métricas, e q nao rimou.

  5. pra nao ser uma jamanta:

    a penúltima estrofe é tao boa, mas tao boa q eu até me esqueço q vc usou a palavra faca 785 vezes!

    por ela, parabéns

  6. eu acho genial a capacidade de virar e se re-virar com as mil significações de muitas palavras.
    Eu, confesso, jamais soube fazer isso.
    Mas fico com o henrique, acho que gosto tanto da espontaneidade.

    [mas é preciso ressaltar alguns versos:

    gera músicas que partem a faca

    Livrando-se do peso do ser frágil

    e que do inesperado surge o surto.

    Vendo tudo além do surto e do perto
    pode-se até fugir fácil do frágil
    e sentir na ressaca o tom da faca.]: isso é genial.

    beijos, boneca

  7. carol,
    li sua sextina 3 vezes, com bastante interesse e atenção. sei que você pediu críticas negativas, mas me sinto envergonhado de fazê-las. portanto, o que vou desenvolver aqui é um breve comentário geral sobre o poema e destacar alguns pontos, ora os mais maduros, ora outros não tão bem realizados.

    pra começar, fiz uma leitura metalinguística do poema. ele me soa ao mesmo tempo uma reflexão sobre a angústia de compor, as escolhas que o poeta tem que tomar, seu revirar interior de intenções contrapondo-se ao filtro transformador da linguagem. me parece o próprio momento atual de seu desenvolvimento poético, a passagem de uma poetisa supersensível (no sentido de percepção e decomposição dos fatos externos, material poético por excelência) pelos grilhões educativos da forma fixa.
    o tema da passagem rege o ritmo do poema, que me parece o seguinte: as duas primeiras estrofes são a constatação; a coisa nova se mostra, a poetisa fica olhando meio abobada (estonteante é a palavra que abre o poema, e mostra o choque inicial), e depois tem uma revelação sobre as possibilidades múltiplas que podem surgir da experiência diferenciada a que se propõe (“Como num pulo, constata no surto / o quanto do paradoxo é bem frágil / entre o que é difícil na vida e o fácil”).
    as duas estrofes que se seguem (terceira e quarta) são mais expositivas e retóricas. perdem em força bruta, mas ganham na sobriedade de certos versos que, redondinhos, acumulam significado (“Vida, algo bem múltiplo, nada fácil, / serve como convém, tal qual a faca: / instrumento de arte de lidar frágil”). com esse discurso bem elaborado, o poema reflete um momento em que a poetisa-eu-lírico desentrava racionalmente o problema, e procura resolvê-lo para si mesmo de uma forma menos passional.
    mas isso ainda não é suficiente para ela. na quinta estrofe temos três arroubos de lirismo “raw”: “força da ressaca”, “grito de surto” e “ferida da faca”. essa última, a faca, merece atenção redobrada: antes, um instrumento útil, a faca cabralina (é impossível falar de faca no brasil depois de joão cabral sem entrar na seara dele); agora, uma arma que fere. entra aí seu íntimo que gosta de ler gertrude stein e essas poetisas meio loucas a quem você tanto se assemelha (no melhor sentido). é a nova abordagem da poetisa-eu-lírico frente o conflito ainda não resolvido.
    por fim, nas duas últimas estrofes, a solução. “dando mais cores a tudo perto” mostra uma produtividade surgida do encontro, um espólio positivo vindo da luta, um trabalho pronto após o suor. “alcance real da faca” dá ares de experiência de quem percorreu um caminho e agora conta o que viu. na conclusão o encontro não é mais conflituoso: sente-se “na ressaca o tom da faca”. confluência e convergência encerram o poema, num tom elevado e sereno.

    claro, minha querida carol, que isso é uma leitura parcial e incompleta de um parnasiano de mais longa data que você, mas que admite ter bem menos potencial. seu poema pode evocar muitas outras leituras que escapam a sua intenção inicial; mas é exatamente por isso que é um bom poema.

    agora, vamos olhar a coisa no sentido formal: decassílabos perfeitos, todos eles. mas sem ritmo silábico, sem cadência nos momentos certos, com versos por vezes de difícil pronunciação: “que o desejado nunca será fácil”, por exemplo, tem duas tônicas seguidas (com acento!!!), e bem no final, na nona e na décima. isso é sonoramente muito feio. outro aspecto observável é que você usa muito as conjunções como apoio para ganhar uma sílaba (e, que, etc), e isso em excesso pode ser ruim. mas a prática vai cinzelando esses detalhes. na verdade, a ausência dessas conjunções no início do poema o tornava muito mais interessante, menos narrativo e mais desconexo, mais fluido poeticamente (até o oitavo verso não há nenhuma conjunção ligando versos, e depois elas explodem, principalmente lá no final). o que eu tenho a sugerir sobre isso tudo é: faça sextinas mais vezes. ficou bom. e dá uma lida na sylvia plath, na ana cristina césar, pra ver como elas exploram as formas de uma maneira interessante e variável. essas poetisas vão ajuda-la a apurar seu estilo. carol, forma não é só métrica; métrica, aliás, é muito limitado, não passa da base indispensãvel que temos que ter pra depois sabermos desconstruir a linguagem e reorganizá-la a nossa própria maneira. não que eu saiba fazer isso, mas você, com o tempo, saberá, e magistralmente.

    ufa! é isso. grande beijo, espero ter ajudado,
    léo

  8. Mané,
    Vc sabe que poesia não é meu forte, e que eu NUNCA vou conseguir corrigir algo ou fazer análises “Leonardianas”.
    Mas saiba que vc tem sempre o meu mais sincero apoio, que é o melhor que eu posso fazer por no campo poético.

    Mas cuidado, essas sextinas ainda vão enlouquecer você!!
    =D

  9. Carol!

    Gostei muito! Acho que você conseguiu muito bem realizar o q se propos.
    Acho que o grande mérito de se arriscar em alguma forma estabelecida e mais rígida é conseguir realmente transcender a forma e criar significado, o q faz com que as duas coisas se unam de uma forma magnifica e acaba quebrando os limites.
    Acho que você conseguiu fazer isso porque entre facas e ressacas e frágeis e difíceis e fáceis e vidas eu consegui ver um significado em tudo isso e não foi m significado ruinzinho não!

    Além de tudo parabéns! Imagino que a tarefa não deve ter sido fácil e você conseguiu muito bem!

    Um beijão!
    té mais!

  10. Meus parabéns. o poema está repercutindo até fora do mundo virtual… só vim visitar o site para lê-lo… explicando melhor, o Leo falou que valia o click então e eu vim averiguar.
    Felizmete ou infelizmente não vou me arriscar (culpa do sono) tecer comentários acerca do seu poema. Até porque depois do comentário do Leo me sinto intimidado. Aliás, não sei do que gostei mais, se do poema ou do comentário…

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