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    Especial FLIP 2008
    Com Carolina Lara e Jacqueline Lafloufa
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Cap. 1 – O terremoto

Era uma sexta-feira cinzenta de agosto. Para Pedro Vitório era uma sexta-feira como as outras, exceto pelo fato de ter recebido um aviso de seu chefe de que deveria passar em seu escritório antes ir para a casa. O que o chefe estaria querendo, Pedro não era capaz de imaginar e passara o dia todo com aquela pergunta em sua cabeça.

O serviço chegava ao fim. A fadiga de Pedro aumentava. Sua ansiedade também. Não é todo dia que um operário da firma conversa com o chefe. O que se sucederia? Talvez uma promoção. Não! Não era digno de tanto. O chefe poderia estar insatisfeito com seu trabalho. Também não. Pedro, embora não gostasse do serviço, se esforçava para fazê-lo bem. Chegou à sala do chefe. Bateu levemente na porta.

― Entra!

― O senhor mandou que eu viesse aqui depois de terminar o serviço…

― Senta!

Pedro Vitório sentou-se e ouviu.

― Eu te chamei aqui porque o senhor não vem trabalhar na segunda. Aliás, não precisa vim mais.

― Vou fazer outro tipo de serviço?

― Não! O senhor está despedido! Te chamei aqui para acertar as contas. Vou te dar o seu último pagamento…, depois disso não vou estar te devendo nada e você vai sair daqui pela última vez.

― Mas… Por quê?

― Demissão sem justa causa. Não tenho que te dar satisfação sobre as minhas decisões! Está aqui o seu pagamento. Você assina o recibo e vai embora.

― Mas… Senhor… Eu… Eu tenho família… Minha mulher não trabalha e…

― Não tenho nada a ver com isso!

― Como vou sustentar os meus filhos? Eu preciso desse emprego… Eu…

― Isso é problema seu!

Só para encurtar o caso: Pedro Vitório chorou, esperneou, se humilhou. Mas o chefe foi irredutível. Estava decidido a demitir o infeliz.

― Na hora de perder o emprego todo mundo chora, mas na hora de trabalhar… Ora, some da minha frente!

Pedro Vitório pegou o pagamento e saiu, com o olhar triste e a mente explodindo em mil pensamentos. Como dar tal notícia à família? Logo ele, tão sem jeito para dar notícias tristes… Pensava na esposa, nos filhos, na decepção que teriam ao saber do ocorrido. Queria ir para a casa. Ao desabafar com a esposa se sentiria melhor. Sentiria-se melhor? Ver a família triste e desapontada é sentir-se melhor? Não poderia causar tal dor a quem amava. Iria arranjar outro emprego. Em uma sexta-feira à noite? Não. Melhor segunda… Mas e quanto à família? Contaria sobre sua demissão? Mentiria.

― Você é um homem, Pedro Vitório! ― Disse ele em voz alta ― homem não é covarde.

Julgava-se um rapaz valente. Não podia se deixar cair na tentação da mentira. Mas queria poupar os seus de um sofrimento inútil. A mentira não faria mal algum. Segunda-feira arranjaria um emprego novo.

― Homem não é covarde!

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5 Respostas

  1. você é sempre formal assim o tempo inteiro?
    assusta um pouco…

  2. nao é o formal que me assusta, mas o distanciamento. fica um caráter narrativo completamente externo a mim, numa história presa entre uma novela literária e uma televisiva.

    mas é preciso ver aonde isso pretende chegar.

    gostei bastante do título, aliás. sou maníaco por titulação…

  3. O conceito de formal é relativo. Algumas pessoas podem considerar o texto “informal demais”. Não estou preocupado com isso no momento.
    De fato, ao ler o comentário do Henrique tive a mesma impressão, parece mesmo uma novela perdida entre o livro e a telinha. Porém, é importante esclarecer que este é só o primeiro capítulo e que este realmente não ficou do jeito que eu queria. O segundo capítulo já é um pouco mais interessante. Esta estória foi escrita para ser lida em uma tarde por uma pessoa deitada na rede e não fiz adaptação alguma para a internet, que exigiria um formato um pouco diferente do texto, na minha opinião. Por isso, creio que a leitura dos primeiros capítulos pode ser um pouco maçante para alguns leitores, pois vai demorar para estes se familiarizarem com a estória. Sugiro que, a cada mês, releiam o capítulo anterior antes de ler o novo.

  4. quando eu disse formal não estava me referiando só aos elementos do texto ou à condição da composição. Acho que já no post inaugural voce teve uma preocuapação de levantar dados sobre a trama, fazer retratações e justificativas que são totalemente desnacessárias, sobretudo nesse período de apresentações da novela. O interessante é escrever o texto e deixar que as interpretações surjam com a leitura, com o tempo sem necessidade de explicar nada ou de tentar condicionar a opinião do leitor em relação ao que o narrador quis dizer.
    vou continuar acompanhando.
    um abraço

  5. Compreendo sua posição. Durante a leitura do texto você irá perceber que ele parece ser um tanto agressivo em alguns momentos, e por isso decidi fazer algumas justificativas já na introdução, as quais julguei necessárias.
    De fato, creio que antecipar dados sobre a trama pode não ter sido uma boa idéia, na medida em que minimiza o efeito de certas surpresas ao mesmo tempo em que aguça a curiosidade do leitor. Porém, fiz o mesmo que os resenhistas de editoras, livrarias e jornais fazem, procurando dar ao leitor uma idéia geral do texto para convencê-lo a ler a estória.

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