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    Especial FLIP 2008
    Com Carolina Lara e Jacqueline Lafloufa
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dos fins que não acabam…

‘Olha, acabou..’

Acabou nada, mulher, ainda tem o segundo tempo, você que nunca entende nada de futebol

Acabou a dor-de-cabeça de noite e o seu cansaço sem justificativa

‘Olha, querido, acabou’

Meu Deus, será que ela tá falando da cerveja? Acabar a cerveja antes do segundo tempo começar é foda.

Acabou toda espera, esperando que você entendesse alguma coisa

‘Eu to falando com você, to dizendo que acabou..’

Deve ter acabado o gás, mas agora também não é hora de trocar, né, mulher…

Meu Deus, esse homem não me escuta, acho que nunca me escutou. Eu to dizendo que acabou, que acabou o dia de dizer faz tanto tempo que a gente diz que se ama. Ou não? Será que a gente diz que se ama ou eu digo que amo? Que amo por mim e por ele. E vou amando até ficar insuportável amar por dois..

‘Querido, me escuta, não dá mais, acabou..’

Essa mulher vai me deixar maluco com essa história de acabou. Eu não to respondendo porque simplesmente não sei do que ela ta falando. Se não é o gás, o futebol a cerveja.. AHHHH, CARALHO…era hoje a peça que ela queria ver…Então já acabou, mesmo.

‘Amor, me perdoa…acabou e eu não posso mais fazer nada..’

Ele assumindo a sua incapacidade de amar? Será que finalmente ele me ouviu? Será que finalmente ele saiu do mundo rosa-choque da mãe dele?

‘Então, mas agora acabou…de vez…’

Caralho, eu não sabia que era fim de temporada. Ela vai me matar.

‘Olha, querida, eu vou te recompensar, prometo.’

Do que ele tá falando? Do choro de todos esse tempo, de todos os orgamos não-tidos e fingidos, de toda vez que eu queria falar de futuro e ele só relembrava o que já foi bom?

‘Recompensar, homem…recompensar como?’

É, idiota, recompensar como?

‘Ah, querida…eu juro que não faço mais isso. Eu vou mudar. Eu sei que meu descaso te chateia, mas eu vou ser mais atento’

Atento a que, será? Aos meus peitos que agora perderam a graça pra ele? As minhas unhas que eu parei de pintar? Atento…sei.

‘E você propõe o que?’

O que eu proponho, deus?

‘Vem cá, me dá um abraço, não chora mais…’

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10 Respostas

  1. Nossa, que delícia de texto, Rosa!!!!!

    E não sei se eu ainda tô na pilha do trabalho da Lagazzi, mas que isso remeteu muito àquilo, remeteu.

  2. Concordo com o Rômulo: é realmente uma delícia de texto, Rose!

    Por mais que o rapaz se mostre tão distraído em relação aos sentimentos da moça, a gente fica torcendo para que ele ainda a mereça no final. Pelo menos eu fiquei. Lindo isso.

  3. lindo, muié!

  4. “Só escreve, pra me fazer feliz”

    E quando é que eu não quis te fazer feliz, hein?

  5. é desse jeito triste e com pouco sentido que as coisas acabam e o silêncio que fica só nos lembra de tudo o que nao tivemos, de tudo o que nao queríamos, de tudo o que nunca teremos.

    acabou… e eles continuam se olhando como se fosse mentira. nao, a gente nunca entende. eu pelo menos, nunca entendo…

    mas te entendo, eu acho. e gosto… muito.

  6. Rosinha, é impressionante como os silêncios gritam! Impressionante como nesses diálogos o silêncio tá gritando tão alto, um choro tão intenso, lindo lindo lindo!!

  7. enfatiza a separação AGUDA entre os sexos
    tipicamente seu

  8. Rosinha, amei o texto. Adoro ver como você consegue transformar experiências pessoais em textos autônomos, em personagens tão reais – que não são você, mas que não deixam de ter a sua marca. Você larga as suas pétalas (e os seus espinhos) em todos os cantos, de um forma linda.

  9. MA-RA-VI-LHO-SO. Redondinho! Inclusive pelo título e pelo não fim do texto! Adoro diálogos bem feitos!

  10. ai, desculpa, não gostei muito não…

    achei um exagerado por um lado a poetização dos pensamentos dela e por outro a coloquialidade dos dele, talvez você tenha feito isso exatamente pra mostrar a distância entre eles, mas acho que eu teria gostado mais se as diferenças entre eles tivessem sido mostradas de formas mais sutis.

    Como resultado parece não ficar nem a impossibilidade da comunicação entre eles, nem algum tipo de comunicação subliminar. E claro que isso mostra a inconclusibilidade (essa palavra existe?) das relações humanas, mas não funcionou muito pra mim…

    Mas gostei muito de alguns trechos que eu gostei, como o parágrafo que ela fala sobre dizer que ama e sobre amar pelos dois.

    é isso!

    beijão!

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