• Veja também as capas anteriores!

  • Políticas do Ambidestria

    O Ambidestria todo está sob licença Creative Commons. Em caso de citação, não se esqueça de mencionar o nome do autor do post e o link direto para o post em questão. Não são permitidas alterações do texto.

    Veja mais detalhes na página de Políticas
  • Arquivo

  • Arquivo Especiais

    Especial FLIP 2008
    Com Carolina Lara e Jacqueline Lafloufa
  • Acesso para autores

Sonhos

Apesar de tudo nunca deixei de sonhar.

Alimento meus sonhos todos os dias com doses infindáveis de chocolate e ainda tento impedir com todas as forças que eles virem ilusões. Fugi da realidade, das pessoas, de mim mesmo. Escondi-me bem fundo dentro de um ego solitário no qual meus contos-de-fada continuariam vivos. Tentei evadir-me, procurar um abrigo fora de mim, mas para isto precisava sair do meu esconderijo. Escolhas eram necessárias: ou permanecia oculto e solitário, mantinha minhas ilusões, mas continuaria seguro; ou arriscaria-me em meio a guerra, procurando algum peito onde eu pudesse abrigar-me.

Renovo minhas esperanças todos os dias com cachoeiras intermináveis de lágrimas, lavando-me de toda lama que foi atirada no campo de batalha pelos humanos frívolos, desleais, dilacerados pelo egoísmo. Fomos bem treinados para a guerra, soldados não têm coração. Não entendo como ainda tenho o meu, depois de tantos golpes e decepções, ferido por meus próprios companheiros, ele ainda bate dolorosamente no meu peito. Talvez minha consciência tenha se mantido distante e por isso ainda vivo. Talvez ainda escondo-me em uma caverna, e somente meu corpo luta. Talvez meus sentimentos sejam mais fortes que a própria força ou até que a própria vida. Tudo são hipóteses. Nada é concreto ou abstrato o suficiente para se conhecer a verdadeira realidade, se é que ela existe.

Atormento-me todos os dias com surtos incontroláveis de psicose. Não sei mais quem sou e não faço mais questão de saber. Só sei que tenho desejos e quero realizá-los. E em meio a tanta confusão tento lutar sozinho, sem ferir ninguém, dando minha cara a tapa e suportando tudo de olhos fechados. Enquanto todos procuram poder, numa sede insaciável de conquistas, eu só quero amor. No fundo é somente isto que eu quero. Não preciso abrigar-me. Não saí da minha caverna para procurar outra, só não queria ser solitário. Sei que a guerra é inevitável, mas enfrentá-la de mãos dadas com alguém torna-a mais tolerável. E em meio a tanta inveja, voracidade, aniquilamento, sadismo, prepotência, arrogância, autoritarismo, estupidez, procuro sobreviver mesmo sendo perseguido por um “terror sem nome” o qual não sei por quanto tempo mais posso suportar sozinho.

Subjugado, caído de joelhos sobre as pedras, tento aparentar força e segurança, tento esconder meus olhos marejados de dor, tento ocultar minhas feridas. Esbravejo aos céus, revolto-me com o mundo, condeno as pessoas; tudo numa tentativa de confortar-me de alguma forma. Não sou uma vítima da guerra, mas de mim mesmo. Sou culpado e condenado por amar demais. Preciso ser salvo de mim.

Escrevo porque tenho duas mãos livres e espero que alguma delas seja enlaçada pelas mãos de outra pessoa cansada de sofrer e que esteja disposta a lutar acompanhada.

Sobrevivo porque sonho. E porque apesar de tudo não deixo de sonhar. Insisto, persisto e não desisto jamais. A vida é uma guerra que não permite rendição.

Psicoses, Lágrimas e Chocolates são tudo o que sou. Aproveitem!

Anúncios

6 Respostas

  1. Diego, você conhece uma música do Pink Floyd chamada “Outside the Wall”? É do disco “The Wall” que também é muito bom e seu texto me fez lembrar dela porque eu escutava esse cd numa época em que me sentia muito como você e me fazia me sentir muito bem, bem mais livre. Vou reproduzir aqui a letra:

    Outside the Wall (Waters)

    “All alone, or in two’s,
    The ones who really love you
    Walk up and down outside the wall.
    Some hand in hand
    And some gathered together in bands.
    The bleeding hearts and artists
    Make their stand.

    And when they’ve given you their all
    Some stagger and fall, after all it’s not easy
    Banging your heart against some mad bugger’s wall.

    ‘Isn’t this where….’ ”

    O grifo é porque essa parte foi especialmente o que seu texto me lembrou.

    Só pra dar um toque.

    beijo
    té mais

  2. Se interessar, um clipe:

  3. Não gostei mto não, talvez pq o “eu-lírico” fala muito dele não houve uma identificação atual do texto comigo (mas se eu pensasse em historias passadas minhas ou vivesse hoje algo mais parecido com o que o texto fala, eu me identificaria bastante), mas acredito que é porque estou vivendo coisas bem diferentes de você nessa fase de minha vida, daí, hoje, o texto me pareceu até um perfil, achei ele dramático demais… É isso , só queria comentar essa falta de sintonia que a arte pode/deve gerar/mostrar entre as pessoas e seus momentos.
    Abraço

  4. eu acho um pouco adolescente demais. é bastante como eu me sentia aos 12 anos, quanto a nossa visão é de que somos os únicos certos, conscientes, com razão, e todos os outros são simplesmente os outros, desgastados, destruídos e infelizes. eu nao tiro o valor disso, porque é um periodo absurdamente importante, mas assim como a própria adolescencia, ele desmerece o humano, desconsidera as coisas, despreza as variações do mundo e da vida.

    no fundo, sim, eu ainda sou alguem q só tem lágrimas, chocolates e psicoses, faz perfeito sentido nesse ponto. mas, pelo menos pra mim, nao fez sentido nessas suas palavras.

    a ideia é muito bonita, infindavelmente estética e pode vir a ser amadurecida. vou acompanhar porque acredito nesse amadurecimento e o espero…

  5. Coração batendo no mundo. O Amor não é escolha, é sina. Condenado, eis tudo o que és, caro amigo. E sois feliz assim, parece-me. Sejamos bem-vindos!

  6. Adorei o post!

    Já que estamos falando da arte de sonhar, dêem uma olhada neste video do youtube http://www.youtube.com/watch?v=hyaX3JgPLVk, ou acesse o site http://www.meus3desejos.com.br. Tenho certeza que vocês irão gostar.

    Abs.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: