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    Especial FLIP 2008
    Com Carolina Lara e Jacqueline Lafloufa
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Nasce um projeto menino

É com muita honra que aceitei participar do Ambidestria, projeto muito interessante que está começando e, com certeza, veio para ficar. No meio do mar de informações que chamamos internet, há um sítio feito por estudantes do IEL e dedicado à literatura em seus mais diversos aspectos. Tal iniciativa é louvável e seus idealizadores, bem como todos aqueles que trabalharam muito para transformar um sonho real em um mundinho virtual, merecem todo o nosso respeito e admiração.

Me sinto especialmente honrado por, nesta data, estar ajudando a escrever a certidão de nascimento do Ambidestria, constituída por todos os “posts” inaugurais da página. O projeto, que conheci em sua forma embrionária graças a uma indicação de meu amigo Mateus Yuri Passos e à posterior reunião com Jacqueline Lafloufa, principal responsável pelo nascimento deste sítio, agora se mostra para o mundo. Um oásis cultural surgiu na internet. Já podemos comemorar: o Ambidestria é uma realidade.

A minha página dentro deste sítio se chama “A folia de reis”, nome da minha mais recente novela, que será publicada na forma de folhetins no dia 13 de cada mês, durante 25 meses, sendo um capítulo por mês. O texto é dividido em capítulos curtos, de modo que mesmo os leitores mais ocupados terão tempo de manter a leitura em dia.

Advirto os leitores de que “A folia de reis” possui, em alguns capítulos, conteúdo erótico e termos obscenos. Por isso, o leitor que se sente ofendido com tal conteúdo não é aconselhado a ler esta coluna.

A estória de “A folia de reis” envolve um conflito familiar causado por um conflito religioso. Trata-se de uma crítica à banalização de Deus, ao aumento doentio do fervor religioso e ao caráter cada vez mais fundamentalista de certas igrejas, a maioria delas de fundo de quintal, no Brasil contemporâneo. Meu objetivo não é ofender o cristianismo nem qualquer credo religioso específico. Longe disso, o objetivo desta novela é mostrar a igreja como um agente de grande influência nas vidas de seus fiéis e como tal influência pode resultar em desgraças caso o sacerdote não tenha preparo adequado para lidar com seu poder de influência.

Para atingir meu objetivo, inventei uma igreja fictícia chamada “Igreja Pentecostal da Fé de Abraão”. Não tenho conhecimento da existência de nenhuma igreja com tal nome, fruto da minha imaginação, apenas. Considerando-se a enorme quantidade de igrejas pentecostais existentes no Brasil, é possível que exista alguma igreja com tal nome e, neste caso, me comprometo a mudar o nome da igreja fictícia retratada no livro, que não deve corresponder a nenhuma igreja real.

O fato da igreja ser pentecostal não deve ser entendido pelo leitor de religião pentecostal como uma crítica à igreja dele. A igreja católica e a igreja protestante, atualmente, se mostram conservadoras em diversos aspectos e procuram cultuar Deus da maneira tradicional. As igrejas evangélicas, em especial as pentecostais (neopentecostais), têm se afastado cada vez mais do protestantismo histórico, buscando renovar o culto cristão, seja através de celebrações com muita música e dança, seja através de sessões de exorcismo muitas vezes transformadas em espetáculos e transmitidas ao vivo pela televisão. Estas novas formas de culto certamente resultam em mudanças no modo de vida dos seguidores de tais religiões, o que não é, necessariamente ruim. Mudanças podem ser boas. O objetivo da estória é mostrar que a influência exercida pela igreja sobre o fiel pode, sim, trazer resultados maléficos caso não tenham acompanhamento adequado pelo líder religioso.

Portanto, a crítica é dirigida não ao coletivo das igrejas pentecostais, mas às igrejas criadas em garagens e quintais, cada vez mais comuns hoje em dia. Tais igrejas normalmente se denominam pentecostais mas, não raro, seu fundador e único pastor não tem preparo algum para exercer sua função e busca somente atrair mais fiéis e torná-los fanáticos para, dessa maneira, arrecadar mais dinheiro através do dízimo e da venda de indulgências.

Na estória, o fanatismo religioso do protagonista, Pedro Vitório, o transforma em um neurótico que analisa todos os acontecimentos à sua volta à luz dos textos bíblicos, interpretados literalmente por ele. Agindo de tal modo, ele se convence de ter encontrado na bíblia uma ordem de Deus. Acredita ter compreendido claramente o projeto divino e decide pô-lo em prática sem consultar o pastor. Portanto, a igreja não tem relação direta com o desfecho da estória, mas foi, porém, a responsável pela neurose de Pedro Vitório, visto que a doença foi causada pelo despreparo psicológico do sacerdote.

Quanto ao fato do pastor ter relações sexuais dentro da igreja, há casos assim em diversas igrejas, dos mais diversos credos. A associação do sexo a símbolos religiosos tem um papel central na estória, além de aumentar a qualidade literária do texto. Ressalto que tais passagens não são para gerar polêmica gratuita, mas sim para estimular a reflexão sobre os valores mantidos pela nossa sociedade.

A folia de reis, que dá título à estória, aparece raramente no texto, em pontos estratégicos. Porém, o nome se justifica devido ao papel desta nossa tradição cultural no término da estória. Cada elemento da narrativa foi cuidadosamente pensado: os nomes das personagens, o espaço narrativo, a semiótica, as entrelinhas. O objetivo é não somente envolver o leitor e transportá-lo para o mundo de fantasia onde a estória se passa, mas também provocá-lo, testá-lo, fazê-lo rir e chorar e, principalmente, refletir sobre a vida em seus mais distintos aspectos.

Boa leitura!

 

R. H. Z.

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5 Respostas

  1. Arquitetado e direto. Sejamos bem-vindos!

  2. Rafael, é por isso e por outras que tenho orgulho de te conhecer e mais ainda de ser seu amigo!

    Estarei aguardando então, cada dia 13!!!!

    Sucesso!

  3. EU JÁ LI E ADOREI!!!

  4. Sei lá, muita introdução.

  5. Gostei da temática e vou acompanhar (se a estória continuar boa ao longo de sua publicação, é claro.) Religião sempre foi um tema complicado para mim, então acho que vai ser de grande valiar ler sua obra. 🙂

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