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Meu lance com a Norma

O nome completo dela é Norma Padrão. (Não confundam com a Norma Culta, a irmã desbocada)
Sem ela, não consigo viver, muito menos trabalhar.
No meu serviço, uma das minhas obrigações é conhecê-la de cabo a rabo, e na dúvida, consultá-la.
O problema é que ela não é tão certinha assim quanto aparenta.
Norma é volúvel, dissimulada e caprichosa, cheia de nove-horas.
Às vezes tenho ganas de esganá-la, em outras derreto-me justamente com suas veleidades.
Enfim, temos uma relação amorosa típica. É uma pena que só seja possível conhecê-la na intimidade lendo biografias não autorizadas, pois a Norma é ao mesmo tempo real e peça de ficção.
Ela é mantida artificialmente viva nos textos com ajuda de gramáticos, e só sobrevive dentro do texto. Fora dele, ela se desmancha como aqueles seres aquáticos gelatinosos retirados das profundezas do mar.
Explico. Se você quiser saber como a crase deveria funcionar nos textos, descobrirá que há casos em que não há consenso sobre seu uso.
Ao contrário do Ferreira Gullar, sustento que a crase foi feita sim, para humilhar qualquer pessoa que se atreva a escrever em português segundo a dita norma-padrão.
Fico com o Millõr, que diz “A crase não existe no Brasil. É uma invenção de gramáticos. Nunca ouvimos ninguém falando com crase“.
Só que a minha convicção não é páreo para os c
lientes de agência de publicidade.
Eles exigem que o texto de suas peças estejam corretos. Com o rigor de uma expressão matemática.
Eles não querem saber se em algumas locuções o uso da crase não é consensual; ou está certo, ou está errado. Conhece o “ou exclusivo” ?
Nestes casos eu uso um autor para justificar a minha escolha, o que é uma covardia, pois estou usando um argumento de autoridade. Dizer que “o Celso Cunha abona” é humilhante, mas garante a aprovação do texto junto ao cliente.
E o que fazer quando a grafia de uma palavra difere no Houaiss, no Aurélio e no Caudas Aulete simultaneamente?
Como amante da língua, vibro com a diversidade; mas como revisor preciso ser dicotômico, e cínico.
Enfim, esta é uma das baixezas às quais um redator de publicidade se vê obrigado a se submeter.
É sobre estas e outras que pretendo escrever na minha coluna.

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4 Respostas

  1. Legal! Eu tb acho q certas normas são invenções exclusivas (nos dois sentidos) de gramáticos…especialmente no Brasil, com tanta variedade regional…
    Sua coluna vai ser útil pois concordo com o q o Millõr falou uma vez sobre estudá-la: “A gramática tem que apanhar todo dia pra ela ver quem manda”

  2. Ótimo!

  3. Eita! Essa Norma só dá trabalho… Mas não vivemos sem ela. O que fazer? Só resta engolir as palavras, as regras, o mundo. Empolgada com a proposta! Sejamos bem-vindos Werner!

  4. cliente é uma tristeza.

    e a Norma anda tão metida que está prestes a se tornar transatlântica. será maravilhoso.

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