Homenagem às primeiras músicas dos cds

A força das primeiras músicas dos cds. Spark, Hidden Place, La Jeune Fille Aux Cheveux Blancs. O ímpeto com que dizem “contra todo o resto que há no mundo, contra tudo aquilo que tentou impedir meu nascimento, isso é o que eu tenho a dizer”. O modo como começam a primeira frase.

Entre todos os modos que se pode existir a música fala com você e te deixa entrar no universo que só existe naquele cd. Do primeiro acorde e da primeira frase você deduz todos os sabores que virão.

É uma música mal educada que vem chutando tudo ou então que suspira algo no seu ouvido ou que é tímida, mas não importa se é com agressividade ou suavidade, ela te faz olhar por cima do ombro e perceber que tinha um pedaço do seu olho que nunca tinha visto nada, um pedaço do seu olho que sempre viu tudo, mas que você nunca tinha reconhecido como seu filho.

Ela pode vir como uma oração. Como uma catedral ela é a transição que te tira do mundo de antes. Mas a oração pode ser entrar num buraco. Sentir medo ou desespero.

Você sente nela o traço do tempo. É dizer “é isso mesmo”, é assim que faziam. É um reconhecimento. O artista se faz guerreiro e entra em batalha, no arranhão que já existe no rosto e se deixa entrever pela armadura ele diz “esse sou eu”.

É um soluço. O prato principal disfarçado de primeiro prato. Um pedido de desculpas e um cuspe na cara. Como tudo mais no Ocidente ela é a resposta do artista à sua culpa e agressão. É fincar a faca no coração do mundo enquanto se chora a alegria de ter de fazê-lo. Sente-se vivo.

Ela tem me inspirado para escrever. Quantas vezes depois de ouvir uma primeira canção eu não pensei: “agora eu não tenho desculpa para não escrever, olha isso!” Ela não dá a mínima pra você porque só olha pra frente, se você olhar pra baixo verá que a mão está estendida para que você a pegue.

Quantas vezes eu não fui com tudo com ela. Mergulhei na água fria. Pulei nas nuvens. Deslizei em calculadoras e máquinas de escrever. Multidões que passavam e não me viam invisível entre elas. Quantas vezes não foi uma dorzinha simplesmente no coração que nós chamamos de prazer e que depois explode num grande ah que nós chamamos de admiração.

Quantas vezes não foram elas que me ensinaram a travar minhas próprias flechas. A olhar e esperar. O momento mágico, retumbante. Agora ou nunca. Em que você. Entra.

Uma Microscopia do Crepúsculo

ALBA

E lá fora...

[INTERLÚDIOS PARA JUNHO]

*

Astro, branco e frio
[cisne no confim]
e luas mil esmaltadas pela bruma

 

Que madrugada em sua alma…

E dentes no covil de sua boca.

*

 

Vinha, da extensa boca aberta
a barcaça

Sonhando,
e vivendo em parte fantasma
nas ranhuras dos espíritos que respirava.

*

Garrafa de luz,
vens rasgar a madrugada
que esvoaça ferida sob a seta da tua raia
num flanco cândido da alcoólica vidraça.

*

Pequenina calhandrina –
voas – e vejo os nós das asas em fuga

E, pelas lascas douras das guedelhas
tuas, as garras tanto espelhadas em fagulhas.

*

Um dia
mais claro que a oliva dos mapas
na tua vista –

Nas quebradiças, duas –
folhas mistas – íris tuas

antiquários do Outono tu tremulas.

*

Menina
que chora, pequenina,
sob a sombra de um boneco de Olinda.

Há rostos tristes nos presépios, ainda.

*

Arei as trastes
trêmulas da tarde [gris –
mas inclinada à negra uva
noturna]

E estria tua face
e o cacho que lagrimas
[Desatado
de minhas ternuras pastoris].

*

Nāo páras de chorar
a voz dos outros, viola.

Encheram-te
os sons do mar e vivem-te aedos
revividos –
E amarram sonhos bons
a pesadelos…

*

E lá fora,
tudo abrolhando.

Ela,
na caixa escura da sala,
fica a coser em seu piano
árias com a fibra aérea
que fabrica luas e sono,
Ela

E lá fora,
tudo abrolhando.

*

Dê-me os dedos, querida –
Deixa ver!

Da linda lira desse aedo
há trechos n’ água cinza
inquietos na poça mista – elos
de versos e música:

Onde descansa a sua lágrima,
Ó chuva,
as argolas que casaram
esses bens – ficam ali expostas

Faz noite
e os navios saem
e vāo cantar e os guia
no transbordo desse corpo seu,
oferecido –
Seu sacrifício! –

Pois, lá descansa sua lágrima,
Ó chuva –

Querida,
me dê os dedos!
Deixe já a lira dos aedos!

*

Na lagoa, luas mil –
sinos repousados em seu lúcido prato

Esmaltados nas sombrias
e auras águas – amora que sangra

E desabrochando em sua garganta
aquela rosa de pétalas opostas

Sua alma – aurora!

(André Nogueira, 2007).

Olhando para fora dos nossos umbigos

Fui no Intercon 2009 no hotel Renaissance e uma das coisas que mais me chamou a atenção foi esse vídeo, vindo da palestra sobre Acessibilidade como Fator de Inovação, de Horácio Soares.

Essa palestra me fez encarar a comunicação de uma nova forma. Já me tinha passado, certa vez, as dificuldades que portadores de deficiência passavam para se comunicar ou para ser comunicado. Mas nunca tinha tido um contato mais aprofundado com esse problema. E me fez pensar: será que o conceito de comunicação (= uma ação para tornar comum) está sendo realmente aplicado?

Na palestra, Horácio mostrou como os sites-padrões são pensados para o público majoritário-privilegiado: com uso de um software que anuncia, em voz, o conteúdo mostrado, o site demonstrou uma grande imprecisão para a leitura dos links. É praticamente inacessível, para um deficiente visual, acessar o site.

Horácio ainda citou o exemplo de sites de compras, que seriam muito úteis e atraentes para os deficientes visuais, mas que são muito pouco acessíveis para esse público. Seria uma comodidade e facilidade se esse tipo de deficiente pudesse comprar o que eles necessitam sem sair de casa. Mas parece que ninguém pensou nisso. Nesse mesmo ponto, incluo os idosos, cujos sites poluídos de informação são pouco convidativos.

E nesse assunto, relembro uma frase que, cada vez mais, entendo sua extensão: “O mundo é muito maior do que nós pensamos”.

Post originalmente extraído de Midializado.

O, então, purê de batatas.

…sozinha, resta ela na mesa de sua casa na hora do jantar. Quando uma estridente e rápida campainha soa. Ela, visivelmente abatida, levanta-se de sua cadeira e caminha até o microondas; lá de dentro tira uma tigela de vidro com BATATAS assadas… Começa então a amassá-las. No começo com calma, mas então gradativamente com força, com muita força, com muita raiva. Quando de súbito ela para em um estado de choque com lágrimas escorrendo pela face. Por um instante, apática. Sabia agora que seu problema havia acabado, então, pela primeira vez na história, ela sorri. Um sorriso doentio, psicótico. Ela, ainda com o coração a mil por hora, senta-se. E, em uma sarcástica gargalhada, dá a primeira garfada, levando à boca aquele, agora, então, purê de batatas.

à flor da pele

SÍNDROME DO PÂNICO.  capítulo 83412.

Parece contraditório – as horas mais especiais dos meus dias são aquelas em que estou semi-consciente do que se passa à minha volta, e ao mesmo tempo atento como nunca. O torpor é incontrolável, tarde demais quando sinto sua presença. A dormência chega, as veias do pescoço começam a latejar e o mundo(?) forma-se sob uma nova ordem em minha mente. O medo nunca vai embora; medo bom, às vezes. Minha vista fica borrada e o tempo parece não fazer mais sentido. O sentido parece não fazer mais tempo.
Os pés se enroscando em sincero carinho, no chão sujo, as mãos segurando firme nos canos presos ao teto, a janela aberta e o vento e a fumaça já com ar de familiariedade. Os pelos, os dentes, as roupas, o cheiro, tudo grita pra mim, enquanto tento acordar deste sonho que não poderia ser mais real.
No concerto não foi muito diferente. Nomes estranhos, harmonias desconhecidas e a luta para continuar sóbrio, para não me perder dentro de mim mesmo. Fecho os olhos para tentar entender a música, mas não consigo. Toca-se uma partitura que ficou perdida por oitenta anos em uma biblioteca dinamarquesa. Bohuslav Martinu encontrou seu “filho perdido”. Continuo não entendendo nada. Aprecio enquanto há tempo.

~

Morrer. Deixar de existir. O que isso realmente significa?… Gostaria de saber por que continuo me preocupando tanto com isso, mesmo que não passe de uma preocupação inconsciente, involuntária, uma doença que se desenvolveu em mim e a que reagi passivamente, como um câncer. Estou impregnado de pânico, e temo a insanidade. Assumindo meu estado como tal, aceito qualquer ajuda. Anseio pela volta dos tranqüilos dias de minha amada rotina, que sempre tanto estimei. Anseio a volta de mim mesmo. Em algum passo contra o vento minha personalidade se desgrudou de mim e não pude fazer nada a não ser vê-la indo embora e fechar-me numa breve despedida. Vazio.

~

(pensando alto)
a mulher que me inspira está morta.
todos aqueles que me inspiram, dão-me sensação de prazer ou o toque a uma parte ínfima do saber estão mortos.

e não há nada que eu possa fazer em relação a isso. apenas aceitar, transcender, acreditar. reler os textos, ouvir as músicas, assistir aos filmes e me apegar religiosamente aos registros deixados. como se fossem a única prova legítima de que já existiram, por um curto período de tempo, estes seres. o vestígio daquilo que me fez quem sou hoje, as partículas que se unem e formam a minha matéria (in)consistente.

Anfang Herbst

Ele estava gozando e o pau era tão grande que passava do umbigo e a porra caía no abdomen perfeito de menino (contraído pela dor do orgasmo) e a pele tão branca que eu gostava de cheirar para que quando eu me voltasse de novo para o sorriso ele estaria sorrindo para mim.

Eu estou com saudade dele. Saudade de tudo que poderia ter sido. Mas é uma série de razões e pináculos e estruturas fechadas e extasiantes que não são nem más nem misericordiosas. É só o simples não. Tão leve que não me dói. Me dói mais o pensar de como vou fazer para voltar pra ele.

Eu sou um vagabundo. Não gosto de acumular. Me felicito em jogar fora, em dizer adeus, em escutar as últimas músicas dos CDs. Sou o príncipe que está saindo pela porta. O valete brilhante e negro dos finais, da morte e da destruição. E assim da beleza.

Mas ele é tão doce. Ele é como o reflexo perfeito de mim que eu amo mas tão outro. E ele ainda não sabe dos meus segredos. Pela primeira vez em muito tempo eu tenho medo de revelar meus segredos e não o orgulho exibicionista de quem tem o trunfo na manga. Tenho o medo infantil pré-contar-pra-mamãe-que-eu-sou-gay que ele pare de gostar de mim quando souber quem eu sou.

Mas porque eu sinto que ele já me conhece já. Ele já sabe de todos os mistérios. Ele viu no meu rosto no momento que nos conhecemos. No meu olhar baixo, no meu sorriso depois do nosso primeiro beijo que durou uma eternidade inteira e que fez toda a balada parar de ódio porque “quem são esses dois meninos que pararam de dançar?”

Como eu sinto que já conheço ele, que ele é transparente, que há coisas nele que eu não sei que sei. O mistério, o mistério, o mistério. O mistério da minha carne. O mistério de mim. E agora o mistério de você. Que veio como rainha cavalgando e clamando o trono. E eu não posso dizer não.

“Entre, querido, tem alguém te esperando”.

Um pouco de cinema: “Todos os filmes são estrangeiros”

*Esse post foge da linha que costumo publicar por aqui, mas achei interessante replicá-lo no Ambidestria pois trata de um assunto que envolve territorialização em um mundo cada vez mais globalizado. Sem falar que cinema é algo apaixonante para a maioria das pessoas.”

“Todos os filmes são estrangeiros”

Essa afirmação vem do título do artigo de Arlindo Machado para a revista Matrizes, edição 3, produzido pela Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da ECA – USP.

O sentido de estrangeiro tem uma conotação diferente do exótico. Exótico é um estranhamento positivo, quando você se interessa por algo por ele ser diferente do seu habitual. Estrangeiro é derivado direito do estranho e aqui a conotação tem um sentido negativo. Estrangeiro é algo desconhecido, que impõe medo justamente por sua imprevisibilidade.

Tomando esse conceito, Machado defende que a “estrangeirização” dos filmes vêm em duas ocasiões: na legendagem e principalmente, na dublagem.

A legendagem atua na estrangeirização do ato fílmico. O cinema é audiovisual. A experiência de ser envolvido pelas imagens e pelos sons é interrompido por uma concentração em seguir as legendas presentes na tela. Será que a experiência com e sem legendas é a mesma coisa?

A dublagem é a estrangeirização principal. É uma questão de desterritorialização da diegese fílmica. Como um filme, feito sob uma diegese indígena, as falas estão em inglês ou em português, como é nosso caso? Nesse ponto, vejo que Machado segue uma linha bem semelhante à defendida por André Bazin, em que o realismo fílmico deve ser seguido com o máximo rigor. Nesse caso, Machado defende um “cinema de sotaques”, ou seja, a plena autenticidade dos fatos lingüísticos e também sociais.

Machado, ao mesmo tempo que defende essa autenticidade bazaniana, também encontra dificuldades em estabelecer uma solução que não comprometa o entendimento fílmico pelo público globalizado. Uma das soluções apontadas por ele é incorporar esses “estrangeirismos” na linguagem fílmica, ou seja, transformar legendas e dublagens em elementos da própria diegese fílmica.

Post originalmente extraído de Midializado

A concorrência entre as redes sociais

Incrível como as leis de mercado também se aplicam para as redes sociais. Durante algum tempo, acreditava que havia um desdobramento, até mesmo no nível de estrutura, dessas leis de mercado que conhecemos (= oferta, demanda e valor de troca), mas agora vejo que não há um desdobramento, é apenas uma adequação para os novos tempos que vivemos.

Até mês passado, não havia uma concorrência clara entre o Facebook e o Orkut, isso no nosso âmbito nacional (já que o Orkut só é majoritário no Brasil e na Índia). Lá fora, havia uma rivalidade não-direta entre Facebook e MySpace, apesar de ambos serem, na teoria, diferentes enquanto recursos. Mas últimas pesquisas indicam uma queda no MySpace e um crescimento do Facebook.

Ao que percebo, o Facebook possui uma infinidade de possibilidades e esse leque é mais atrativo do que redes especializadas e focadas, como o MySpace. Além disso, o MySpace sofre com o crescimento do Twitter, já que o Twitter anda servindo como um canal/painel dos artistas/celebridades para direcionar o tráfego para seus sites/blogs pessoais, dispensando canais intermediários como MySpace e Youtube.

E no começo do mês, o Facebook lançou uma clara tentativa de migração do Orkut para sua rede social: agora existe a possibilidade de você descobrir se algum contato do Orkut possui Facebook e assim, adicioná-lo. Eu mesmo usei esse recurso e funciona. Quase tripliquei meus amigos no Facebook.

O objetivo disso é claro: utilizar a rede social mais popular no Brasil para conseguir mais hábito de uso no Facebook. É lógico, se uma rede social tem mais amigos, eu vou utiliza-la com mais freqüência. E o troco do Orkut vem logo mais: um novo visual, com recursos muito parecidos com o do Facebook, como aquela barra de compartilhamento, ao estilo de Twitter. E o grande atrativo é a possibilidade de personalização do seu perfil, com cores e templates novos.

E para quê toda esse investimento em abocanhar mais tráfego e uso? Simples, atrair receita publicitária. É naquela velha lei da televisão: audiência = publicidade = dinheiro.

É, certas coisas não mudam.

MEU FAUSTO

NOTAS PRELIMINARES:

Meus caros compatriotas. Certos motivos podem os fazer me perdoar esse último texto que quero compartilhar convosco. Temos, para resolver, o impasse em que caiu o nosso gênero, uma espécie de autismo que nāo se manifesta mais em patamares muito superiores das côrtes e dos ateliês, mas sim em lugares como esse, mesmo porque, com base em uma „libertaçāo“, as artes foram renegadas dos patamares superiores e já nem se conseguem mais erguer dos lugares indignos em que caíram. Pode-se dizer que o rei que perde o trono ganha sua – libertaçāo? O gênero, pois, vagou lugar, e toda sorte de ratos, culturais e nāo-culturais, o ocupou. Uma peça tem de ser um revólver bem-calibrado – tem de estar apontada para o alvo correto, e disposta a disparar. Assim sāo as melhores críticas à tradiçāo e à política. É, porém, de se considerar a importância de dar a essa crítica a preciosidade e o polimento que merece e que a faz merecer o nome de arte – é a parte do bem-calibrado que diz respeito apenas ao amor ao calibre. Um erro, porém, seria calibrar a arma, por mais amor que se possa ter ao calibre, sem no entanto querer mais atirar. E, porque nāo tem mais propósito, porque, embora se tenha dedicado ao calibre toda uma atençāo especial, o calibre só tem para quê se for para dar mira ao alvo – nesse caso, para quê – calibrar? Os artistas se esquecem, mesmo, do perigo que podem representar – Deverá ser uma questāo de baixa auto-estima. Parece-me propício dizer aos amigos compatriotas: Vamos fazer uma coisa perigosa, vamos provocar, mexer – água parada é nicho de mosquiteiros – tenhamos a língua afiada com serpentes, e o chocalho e afiados também os dentes. Se, agora, ficamos renegados à posiçāo de bôbos da côrte, melhor – o bôbo da côrte diz o que quer para o rei.

Acho ruim falar sozinho – costuma-se ligar esse vício a distúrbios mentais. Por esse motivo, ter um blog pessoal parece corroborar com esses distúrbios. Esse espaço, onde porém esperei encontrar idéias que se tangenciassem – menos, quem sabe, que um tiroteio, esse pega de raspāo – e poder corroborar um pouco com isso, esse espaço, na verdade, menos que uma reuniāo de blogs pessoais, é como uma para-olimpíada da literatura – e o principal defeito – surdez e mudez. Por essa razāo, abri māo da ordem cronológica com que eu havia de início me proposto postar meus textos, para escolher um texto de briga, escandaloso. Espero, em carência de meus compatriotas, que isso possa ser divisor de águas entre minha participaçāo e minha nāo-participaçāo;

Quis, nesse poema, mencionar certas coisas urgentes, como a compra dos jatos Rafale que o nosso governo pretende fazer dos franceses – para quem pensou que o ano da França no Brasil realmente tinha motivaçoes culturais; o vigor da lei que re-obriga nossos colegiais a cantarem o hino nacional – como amá-lo? O futuro dos homens de barro, os nativos das margens do rio Omo, que vāo ser relocados dos seus recantos de argila devido à construçāo de uma usina hidrelétrica nesse rio. De fundo, o jantar de Trimalciāo e Petrônio que, com um jantar, decidiu celebrar seu próprio fim entre os homens. O episódio do exorcismo de Legiāo para os porcos – epígrafe do Novo Testamento, usada por Dostoievsky em „Demônios“. Um pouco de contos de fada. Rosa Luxemburgo, que tinha na cabeça os suaves versos de Goethe – até lhe ressoarem o fuzil nos tímpanos.

Á, meus compatriotas, nessas coisas, que parecem nascer duma descrença minha ao que quer que pareça humano, nessas coisas, invés disso, há – muito humanismo. Quem escreve nunca descrê! O humanista nāo precisa amar ninguém – pode ser, eu nāo ame ninguém e seja inclusive indiferente à dor dos meus próximos. Mas me compadecerei dessa dor assim que me pareça ter sua origem numa injustiça – porque é a justiça que eu amo. Posso ter horror ao povo. Mas tenho amor à justiça, o que inclui ter amor ao povo, ou – piedade. O homem, porém, que é vítima da injustiça, ah, esse homem é, também, o seu – autor. Foi, portanto, em nome do homem que escrevi esse poema, e – contra o homem!           

 

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                                               MEU FAUSTO
 Sátira-escarra, em único ato e único – fôlego.

Para narradores, trombone, caixa,
rádio-gravador, mega-fone, banda de carnaval,
quebra-nozes, bobos de côrte, etc…

 …

OS PERSONAGENS:
o Repórter; o Presidente; o Diabo;
o Decoro; a Princesa; Brutus;
e Vocês, companheiros.

I. PRÓLOGO
 

O REPÓRTER:
Senhores,
creiam-me, senhores;
Sem opçāo,
me intrometi em uma
encrenca enorme,
incrível, – Nāo
estou mentindo,
nāo! É
o meu escopo ver
no zooscópio o proceder
dos jacarés, no
chafariz da praça da
bandeira, que fazem
guarda à queda d’ água,
em rodízio
a tarde inteira de papo
pro ar, o ar de – caça,
garras e presas pros
otários – que aqui é
fácil:
só esperar os peixes
lhes caírem na bocarra.
O preço? É
de graça. Mas meu
ofício é sempre uma
surpresa – Fofocar, é
pouco – De primeira
o ba-
fafá, é obra-
prima – “A
verdade
sobre a praça da
bandeira”. Vou contar e,
pra me crerem,
mediante a
contribuiçāo, três
ou quatro anos de
preito e garantia – com
direito à devoluçāo!
Podem pasmar –
imparcial, é pro
repórter ser que ao
conseguir a
bom-
ba vira herói
e segue a corda
bam-
ba – o seu impasse,
a sua – ordem!
Isso que é amar o
reino animal!
Entoquei-me em sua
gruta, e lhes toquei com
um graveto;
O véu d’ água
se abriu em fechadura
e eu pus
o flash e disse –
- Broncos seres
d’ água, jacarés! Sorri e
dizei xis! Captura- vos
o juízo, o popul-
acho, o cor
no chafariz, trás do
biom-
bo, – Bu!
E, súbito,
escureceu-se tudo,
e, eis, eu vi – Era
o Diabo! – Xô, urubu! – por
entre a fechadura, de
repente nessa
câmara escura, trás
do espelho; À frente,
a se olhar e se
vestir, ali estava – o
Presidente!
Xi! Tirei o boné,
nāo é mais
um chafariz, e nem se
trata, só, de jacarés…
Isso vai dar
num qüiproquó!
O Diabo
e o Presidente, ali
estavam, lado
a lado! Dizem
que
uma imagem
diz bem mais que
mil palavras, mas,
eu vou dizer
assim:
Rasguei a foto que
bati, – As coisas
que eu ouvi é que
parecem ser
o espinheiro e mais
pentelhos ter que em
meu rabo e mais
votos
que uma urna –
Em frente, o Presidente;
o Diabo, atrás e,
dentre –
um espelho, e eu
dentro da furna – Flash!
O PRESIDENTE:
Eita! O que
é isso? És o Diabo?
Chispa que eu sou o
Presidente, ôxe,
te avexe!
Nāo queira ver
o cabra macho dentre
a gente!
O DIABO:
O mais macho é
vossa alteza,
certamente… Mas, nāo se
embraba, ouve só
que eu
trouxe uma surpresa, – é
um presente…
O PRESIDENTE:
Ô, ô, nāo sei,
nāo sei, o que é que
é?
O DIABO:
Seu reino, ave Cesar,
evoés! A princesa,
o rocim, e o pa-
lácio, a mesa cheia,
os fins como
se os meios nāo
faltassem, e mais:
pouco trabalho, muito
ouro, e mais –
esgrima, tênis,
pôquer, robes, gente –
nobre, – Ócio, Ó,
porque o que
lhe trago é
o melhor, vai ver,
você
por cima: Presidente?
Rei! Eu,
no inferno; Vós mercê –
no inteiro orbe!
O PRESIDENTE:
Ô, ô, eu sei, eu
sei como os negócios
funcionam – eu uso
terno. Mais
sensatez, meu bode.
O DIABO:
O preço? Uma
merreca: Vós mercê a pôs
no pal-
etó, junto com o
lenço – eca! – de
nariz, sujo
com muco – Mais apreço
vós tereis por esses
brindes:
um ponteiro cuco-
cuco, um espelho
zooscópico, e,
meu índio, se puser o
dedo aqui no mesmo
instante, receber em seu
proveito por
escambo essa pena
esferográfica que
sabe, por si só,
grafar seu nome em
pentagramos…
O PRESIDENTE:
Feito!
O REPORTER:
Senhores,
pacto de sangue é
pacto de sangue…
Mas nāo dói: É só
picar. Já vou
embora. Se nāo em
queche, agora
mesmo, após em
cheque, mas – cê vai
pagar! É o que fia essa
manche-
te, é o que fia
o meu – segredo –
nāo espalha! Ouro
é ouro,
palha é palha. De
garantia? Dou-lhes um
dedo, pois a al-
ma – eu já
nāo tinha!

II. BURLESQUE

1.UMA BRIGA EM RONDÓ:
 
O DECORO:
Obedecer aos bodes.
Deus – é muito
esnobe. Honrar aos seus;
os outros – muito pobres!
Coroa tropicana –
Louros de ananás e de
bananas –
a exuberante burca
sicofante! Esse coro
nāo é como era
o coro grego, esse coro é –
negro,
esse coro é bem
posterior a Aristófanes
e Dante, um coro em off,
é – bastidor!
é espiāo: Disfarça,
mas apita na hora agá,
faz arruaça,
carnavais, e brande a
periquita, bate o
tambor,
dobra o trombone como
a cadeira
de praia e – Adeus!
Obedecer aos bodes!
Deus é – muito esnobe!
O PRESIDENTE,
em frente ao computador:
Espelho, espelho meu…
Existe alguém
mais bonito do que
eu? – curto-circuito!
O DECORO:
Deus – desdém.
O bode – Esfinge.
Pode perguntar! Um
trombone, mil trombones,
muito orgulho – Um só
homem.
A tropa – batalhāo,
trovāo – a exuberância
natural.
Míssil, canhōes – Diz,
o desdém – Sāo mil
festins de carnaval – É
o bem, o que me
quer, e nāo o mal – o
mal, aos seus;
o bem, aos meus,
o bem – a mim!
O PRESIDENTE:
Espelho, espelho meu,
existe alguém…
O DECORO:
Sim, Ergueu-se da
nevasca,
vestiu casaca – a
ban-
deira, outra vez –
vermelha
a guerra – acaba?
Ou se ergueu
do
barro, ou – era o
cabra-macho, o
escarro, era – um piolho;
olho por olho, seu
presidente, era – um
mosquito – dente por dente!
O PRESIDENTE:
Espelho, espelho meu,
existe alguém mais…
bonito?
O DECORO:
Te dou um pito!
O PRESIDENTE:
Nāo suja
de vermelho o meu
sofá. Espelho, meu
espelho, o jantar –
com sal a gosto.
A bandeira – com meu
rosto. O cravo – bem
temperado. A rosa
– ao meu lado.
Eu sempre a quis –
imperatriz. No
bulevar, o chá; o
bolinar que
ferve, o Diabo que –
mexe, uma peça e – o rei
em xeque.
Sem pressa – esse jogo
é pra pensar; nāo me
escape, eu tenho um ás…
O DIABO:
E eu tenho um zape!
O PRESIDENTE:
Tudo o que eu faço
o Diabo também faz!
 
2.UMA OFENÇA À NAÇAO:
 
O DECORO:
Corte cerce meio ao ventre
enroscado de
lingüiças – Clava
forte cerce por justiça!
Melhor senado –
o que me esquece!
Entre si, os porcos
que chafurdem
no chiqueiro, alhures
cheiro de xixi,
no – xilindró – melhor. As
pérolas – procura?
Bananas – busca?
Quero-as!
Porco – corpo
impávido, impávido
col-
osso, pro – al-
moço! Se ao pó vos
retornardes –
amigo, um só; sócios,
à parte. Pra mim,
nem jóia, eu
digo, nem vintém,
- no campo,
uma cabana, e passo
bem. Aqui, meu sítio;
ali – a câmara.
Aqui, meu sítio;
Ali – banana! no céu,
bandeira com luar
e firmamento e um faixa –
Desvenda-nos!
É o fim da brincadeira,
a – cobra-cega – Sim,
perpétuo xilindró
pros impropéricos
progressos
financeiros, gratificaçōes e
propinas – té voltar ao
pó por revoltar a
parcimônia.
No espírito – legiāo;
no sítio – batalhāo;
no rodapé – o
grampo, a escu-
ta telefônica;
na gruta – o jacaré;
no céu:
O PRESIDENTE:
Espelho, espelho meu…
sempre que eu
o vejo, quem
eu vejo é o Demônio.
O DECORO:
Ouve melhor a
parcimônia! Al-
egria?
Uma ode – ao
ódio!
 
3. UMA OPÇAO, UMA DEFESA.
 
O PRESIDENTE:
E, após
a briga, cê diz tudo pro
seu homem, sobra
um silvo, um – si.
Faça – “peguei!”,
ou “gol!”, ou “ei!”, ou
“ow!”, e “eia!”,
nāo fique em si. No
touro mecânico,
no pique-escon-
de, o pique,
outro, o pique – nike!
Nāo crie pânico,
é o Silvio
Santos – nāo o
silvo – da escopeta;
No microscópio é –
um micróbio, nāo escamas
na corcova do Diabo,
o próprio. Russa
– montanha, nāo
roleta. As bujigangas
no escam-
bo e, por razāo de
sua foto, arranco
-lhe os olhos e o enforco
em suspensórios.
Suba
no porco
que o seu rabo é mo-
la, está
compressa e se
solta e o arremessa prás
estrelas:
“Ow!”… “Eia!”

4.GENEALOGIA DO ROMANCE
 
O PRESIDENTE, ao
pé do ouvi-
do:
Vem cá,
meu bem, sou
bom partido, meu amor.
Careca? Nunca.
Eu vou – usar peruca.
Os dentes – brancos,
de isopor. O mun-
do é meu repouso.
A alma,
eu vou repôr, Deus
nos acuda, vá
com cal-
ma! O corpo –
very good, thank
you…
Vem cá, meu
bem – poder e um bem
querer:
Romeo e
Julieta, Jerusalém
e – Roma; Isolda e
Tristan, o Volga
e – Gengis Kan; Dante
e Beatriz, a imperatriz
e seu – amante??
 
[A investir
contra o espelho]
 
É o Diabo, no outro ouvi-
do, a pedir a sua
māo! Você
’tá…
O DIABO: Obrigado!
O PRESIDENTE:
Atrevido! Te arreb-
ento, meu – irmāo!
 
[A Dama
sai de cena]
 
Espere!
Rose, Rosimere! E meu –
rebento?
 

5. ANTECIPAR O APOCALIPSE:
 
Turbinas de
energia – Itaipu!
Maior barragem da
usina – o arquivo pátrio:
nāo meta essa buzina
onde nāo foi
chamado! Arqui-rival
que vá dizer pro Super-
homem: Ô, Sétimo
selo é – confidencial!
Como um pássaro
no céu, como – buzina
no céu,
olha
onde mete esse
bedelho! Espelho, meu
espelho, você
é – eu??
O pé de bode é o rei do
orbe? O Diabo
e eu somos
o mesmo, o Bel-
zebu
e eu, o presidente, seu el-
eito? Somos o
mesmo – par-perfeito??
Rex
urubu, é o que és,
um – traidor:
Papo-par-propôr
um trato – Pu!
Itaipu! Des-
comuna ca-
choeira, chafariz dos
deuses to-
dos, presa por meus –
êxitos? Dei-
ta as tuas águas,
vou abrir – nao
me provoque! –
a maçane-
ta!     
Ô, Abre a-
las que eu os ferro!
Refletores para o céu – é
show do rei
do rock. O seu berro
é a buzina
do juízo, – Onde é
que está meu sucessor
nesse rodízio?
Na Terra inteira
berram os
bueiros, nos banheiros,
nas banheiras – jacarés;
no palco – „Oh yeah“ e, lá
no alto – o fim do
mundo;
Mas eu expl-
odo essa usina
e ponho fim
ao mundo todo!
Abre a-
las que eu vou –
ferrar com tudo!
 
[No céu, fechou-se
a fechadura. No orbe
abriu-se a
usina Furnas.]

 

III. EPÍLOGO.
O CARNAVAL DO „TUDO IGUAL“
 

O DECORO:
Uma peixeira – um
preá. Sua princesa –
impressionar.
com on-
ze dedos – Rachmanínov,
na casa dos Virguinsky.
Engravidar, ter
um menino.
Arrancar-lhe os den-
tes, pro colar.
Veio crescen
-do, porém, o seu
rebento e
- eis! Já quer tornar-se,
como o pai, um
presidente e reaver
den-
te por dente
e o enforcar em seu co-
lar!
BRUTUS:
Mas, ora pois, na-
da me impede,
quero ser rei! Sujar as
māos do
assassínio? Limpar,
das māos, o tédio!
Primeira dama,
como Édipo, ofereço-me
inteiramente a seu
serviço.
O preço é ter você
na cama. Rosa
Luxem-
burgo, o mun-
do é isso: é –
lingüiça, hambúrguer
e miúdos demiúrgos.
Se estiver vivo,
coma. Se nāo,
deixe que comam,
feche o livro, ferva o chá –
chacrona. Faça
bom proveito! Assassínio
de verdade, só se me
mostrar os peitos!
Liberté, Igualité, Frater…
O PRESIDENTE:
Vamos brindar, be-
bamos vinho.
 
[E esten-
de-lhe uma taça pro
espelho, o Demo a sua
taça ao Presidente,
que no vidro se estilhaça
e as lentes do espelho
e sobre o piso a
esparramar
sangue vermelho.]
 
BRUTUS:
Ergue-se a
bandeira, soa um
trompete – estrangeiro,
a tropa – range:
é o invasor
ou – o justiceiro?
Acerte – e fature um
milhāo! Ajuste o
cronômetro e
pressione o primeiro
botāo! É um, é dois…
O DECORO:
Afaste-se, nāo
vou, você que pensa!
 
[E as excel-
ências ambas
se despencam para o
val-
e sombra e
morte,
corda bam-
ba, clava forte – A
estrela é marte!]
 
BRUTUS:
Se estiver mal-
uco, cuco, se
entrar em parafuso,
o parafuso vai entrar em…
O DECORO:
Pára!
BRUTUS: Nāo é
tortura, é cadeira de den-
tista – o imperativo
terapêutico, o el-
etro-choque pinça o cu
de um porco à
pururuca.
O show persiste:
O rei do rock e os fios
dos microfones,
saxofones, vibra-
fones, raios-laser,
microchips,
shoppings, robocopes,
pôquer, robes,
Hebes e Mercedes
conversíveis,
clepsidras anti-aérias,
mísseis,
por fios a uma rede
de fusíveis nacionais
a começar na
hidrenér-
gea Itaipu
e correr por mil ventosas
dos mil braços de um
Kraken
que abraçam o Brasil, até
vir desaguar no cu de –
seu jantar!
Oito braços e um
botāo – Pois,
aquiesça,
ponha a bo-
ca no trombone, bo-
te pra quebrar!
É um… é dois…
é três e…
               BUM!!!!
             ..     ..
         ..               ..
    ..                         ..
 
 
O REPÓRTER:
Da mesa super
de Trimal-
ciāo, supremo
rei, ex-camponês,
do ven-
tre d-
um impávido – leitāo
bem-rechea-
do em
dinamites, irrompe um
cogume-
lo
de
neon que diame-
tral-
mente emite
esse mítico ce-
nário que é, porém,
familiar a quem
se habi-
tuou a ter o O-
limpo como lar
cesáreo – Começam
a reviver na névoa, na
caverna, os jacarés
papo-amare-
lo,
os cantores e atores
da TV usam roupāo,
cach-
imbo e chine-
los e crachás da
Onu, o povo
do rio Omo – nao;
a praça da ban-
deira vira um circo,
um – cal-
deirao, o povo bate
palmas, re-aquecem-se
as al-
mas,
purpurinas
e confetes, dan-
çarinas e chacre-
tes fuxiqueiras e
pandeiros,
bumbos,
bombas, reco-
reco, cuco-
cuco, vuvo-vuco, o muco,
Gol! o mico, eia,
pôneis, cisnes e
sereias, olímpicos
golfinhos
de biquine ao
molho pomodoro,
um zepelim de condom
e os brindes consagra-
dos
do chapéu
do mestre-cuca.
O pior – sao os
piolhos na peruca!  
A onça
e a preguiça, o rei da
França
e o Rafa-
le iça, no varal
de Capricórnio, uma faixa
sob o céu
de ab-
domen – verme e
cisto –
„Relaxa, homem!
Tenha fé
em Jesus Cristo!“
Arreta,
a vida segue no seu
curso. Uma pena,
só, apenas, o
poeta ter
cortado, já, os próprios
pul-
sos!
 

FIM

kraken1 

 André Nogueira, 2009.

 

 

 

 

A questão da censura – o caso Resenha em 6 e o Boteco São Bento

Um requisito antes de ler esse post: que os leitores tenham pelo menos ter ouvido falar desse caso que aconteceu há mais ou menos uma semana. Quem não está sabendo, clique aqui, que vai direcioná-lo para o post sobre o assunto no blog Brainstorm #9.

Um absurdo censurar um blog por falar qualquer coisa, inclusive criticar algum estabelecimento. Então quer dizer que não posso dar uma opinião ou constatar uma reclamação? Se fosse assim, a Telefônica precisaria anular um milhão de blogs que reclamam de seus serviços. Cadê a liberdade de expressão?

Há outras variantes nesse caso, pois alguns comentários, aparentemente, pertenciam aos proprietários do boteco, que faziam até ameaças aos blogueiros do Resenha em 6. Parece-me que é um microcaso no microuniverso (da blogosfera, o que não é tão micro assim) de uma censura autoritária, como nos tempos da ditadura. O incrível é que o blog teve que retirar o post tão polêmico sobre o tal boteco.

Acho que a maioria da blogosfera apóia o Resenha em 6. E espero que o boteco São Bento (que eu nunca fui e nem sei aonde é) pare de tentar silenciar e abra diálogo, pois fiz uma rápida pesquisa no Google digitando boteco São Bento e das 10 primeiras pesquisas que aparecem na primeira página, 6 são posts reproduzindo o post do blog Resenha em 6.

E contribuindo para o pedido do Cardoso em seu blog Contraditorium, reproduzo o post do blog Resenha em 6. Que o boteco São Bento tenha bastante trabalho pra fechar todos os blogs que reclamarem do seu bar.

Depois da Faixa de Gaza e do Acre, este é o
pior lugar do mundo para você ir com os amigos. Caro, petiscos sem
graça e, principalmente, garçons ultra-power-mega chatos: você toma
dois dedos do seu chopp, quente e azedo que nem xoxota nos tempos dos
vikings, eles já colocam outro na mesa. E se você recusa, eles ainda
ficam putos. Só tulipadas diárias no rabo para justificar tamanha
simpatia no atendimento.
  • Fui no da Vila Madalena. Dizem que o do Itaim é ainda pior.
  • Para dicas de botecos que valem a pena, leia outras resenhas aqui
  • Siga o Resenha pelo Twitter antes que eu bote outro link na mesa.


Resenhado por
Raphael Quatrocci

às
23:22