E como se a memória de todas as brigas do mês passado, o término e o subseqüente retorno, jorrassem para fora de um compartimento bem selado do cérebro, me afoguei. Sem indicativos que me provassem o contrário, afundei naquele sofá; a ardósia cada vez mais assustadora. O batente da porta emoldurava convenientemente a existência que eu havia perdido, um casal fazendo bolo de chocolate com cobertura em uma noite morna de outubro. Por duas vezes chamei. Amor. Amor. Mas minha voz deve ter se dissipado na tormenta, sem nunca conseguir chegar até a cozinha. Tive nojo da vida.
Arquivado em: Bitucas, Botões e Desencontos, Mariana Ruggieri

Mari, o nojo da vida me impede de pronunciar essa palavra: Amor.
O nojo no final, mas o texto é tão bonito (como as frases sobem umas nas outras e se penduram e fazem um desenho), que o nojo quase fica de lado.
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