Hoje te tiraria daí, desse canto escuro, desse apartamento onde, quando o vizinho liga o aspirador, acaba a luz. Hoje te arrancaria daí, isolada entre vírgulas, circunscrita em um aposto. Tiraria todo o pó da sua superfície e te usaria de novo. Remendaria todos os cacos e farpas, nem que desse só para mais uma vez. Outras musas virão, ouvi de mim mesma em uma certa tarde de vento. Mas esses escritos no seu corpo, esses arranhões nos seus veios, toda a música cantada junta, meus dedos entre os seus fios – dedilhando tranquilamente. Passo os olhos nessa caixa onde você se esconde. Tenho medo de abrir – mamãe, na minha infância, me contou a história da Pandora.
Arquivado em: Autores, Bitucas, Botões e Desencontos, Mariana Ruggieri

Lindo! Sempre é um prazer te ler, mas dessa vez foi no gosto certo que eu gosto (talvez é uma coisa narcísica
) hehehe
Tem tristeza e força e triunfo na medida certa.
Ah, não vou ficar procurando um ponto pra criticar se ele não apareceu logo de cara! Vamos deixar como está!
Um beijo!
“Corazón malherido
por cinco espadas.” (Lorca)
Mari, é tão vivo!
O texto parece uma virgem ninfomaníaca metalinguística. Me gustó mucho.