As cobertas grudadas ao corpo numa madrugada fria, restos da cama na lembrança da moça e o quarto cingido recendendo a páginas amareladas. Um copo de cólera no topo da estante. Há uma folha em branco. Não espero resposta. O que isso quer dizer? E o que escrevo agora com certeza não é desfecho. Sempre nas noites insones, quando a cabeça se deixa cavalgar e retorna àquele cheiro de cândida derramada, ao toque do violão à pele nua, aos cigarros virados com saliva intrusa. Me resigno detrás da tinta. Algumas palavras herméticas rascunhadas pronunciam mais do que um átrio de vidro.
A moça na janela e a mosca na vidraça. Ambas condenadas a colisões contínuas com a realidade tangencial.
Arquivado em: Bitucas, Botões e Desencontos, Mariana Ruggieri

obrigada por isso.
é lindo.