Fica a palavra presa na garganta (ou antes ainda), e não sai – não pode sair. Não. Palavra apressada, palavra atrasada, o certo é que ela está fora de tempo e é só o tempo quem diz.
Muda, ela se senta ao lado dele (com toda a determinação do tempo entre eles), seus olhos se encontram. Será que ele sabe? Devagar, ela desliza a mão hesitante sobre a dele: memoriza cada linha de sua mão, linhas bem traçadas, seguras, como os desenhos dele. Ela enlaça seus dedos, os dedos que rabiscam palavras próprias, que folheiam as páginas que eles têm em comum. Os dedos que ela quer em seus cabelos, as mãos que ela deseja o tempo todo nela, as mesmas que lhe acenam adeus.
Os olhos dela caem, fixam-se no chão.
- O que foi?
Foi tanta coisa! E poderia ser mais, não fosse o tempo, não fossem as idéias, os planos que antecediam todos aqueles momentos. O que foi? Como ele pode não ver? Ela já não sabe como dizer adeus.
- Nada.
É o que o Tempo responde por ela. Nada. É o que eles têm.
Arquivado em: Cláudia Munhoz, Detalhes

incrivel, seus textos sempre simples e lindos…
Qdo li seu texto, lembrei desse trecho:
Gastei uma hora pensando num verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
POESIA, Drummond
Amei seu texto,me deixou a refletir!!
=)
gostei =)
Concordo com a minha “chara”. ê
Muito bom,mesmo,o seu texto!
(=