Claviculário

Olhar semi-curvo sobre os presságios do outono. As folhas (algumas) caem, se renovam e renasce, assim, o tempo – espiral entorpecente. O vestido solto balança no vento. Olha. Corre à água e se molha. Vestido branco e molhado modelado ao corpo. Corpo. Corpo. Corpo. Sorri. Nada espera da vida. Vida-azul. Vida-trem. Vida-vidro. Vida-cão. Senta na [...]

Das mutações prosaicas I

Nominais
Realidade difusa
Sem traço sem rua
Nua na chuva
Desce a ladeira.
O piano sem notas
O reflexo na face
Os olhos se fundem
Numa escolha sem data.
Areia no mar
Embriaguez esquecida
Ladeira sem nome
Sem eira nem beira
Nem letra enrustida.
Ramos sem árvores
A ventania crescente
Frases formadas
Escassas de gentes.
O relógio parado:
É hora! Sem tempo.
Desce na ida na vida
Desregrada no centro.
Abra a janela:
É a nua que [...]

Heartbrake House – George Bernard Shaw

 
            Por que começar a introdução a uma peça citando Chekhov? Por que, se é uma peça inglesa que representa justamente a “Cultured, Leisured Europe before the war”? Simples: A necessidade de movimento em Chekhov, a falta de movimento no dramaturgo russo. É nessa fonte que Shaw bebe para criar o sue panorama da Inglaterra [...]

As forças motrizes

Vários acrósticos que não necessariamente seguem a regra de apenas uma das letras iniciais de um nome regerem o caminho no começo de cada verso. Podem surgir pares de letras que formam o nome, seguido de apenas uma letra que o compõem ou de outro par até, aqui nesse poema. Criação dificultada, não dessa vez [...]

O cair das folhas…

 
“O único que me dói de morrer é que não seja de amor”
 
Gabriel Garcia Marques
O amor nos tempos do cólera
 
“Ter medo? De quem terei?
Não da Morte – quem é ela?”
 
Emily Dickinson
 
 
Autora: Josefina Plá
País: Paraguai
Cores: azul, branco e tons terra.
Comida: sopa paraguaia (torta de milho e queijo) e goiabada.
Música: guarânias e polca.
 
Josefina Plá é a poetisa [...]

O cair das horas…

“O único que me dói de morrer é que não seja de amor”

Gabriel Garcia Marques
O amor nos tempos do cólera

“Ter medo? De quem terei?
Não da Morte – quem é ela?”

Emily Dickinson

Autora: Josefina Plá
País: Paraguai
Comida: sopa paraguaia (torta de milho e queijo) e goiabada.
Música: guarânias e polca.

Josefina Plá é [...]

Afroépicos

Das gregras Odisséia e Ilíada já ouvimos falar bastante, bem como da posterior e ainda antiqüíssima romana Eneida. As indianas Mahābhārata e Ramayana são menos famosas, entretanto vez ou outra são comentadas. As recentes velhas histórias que agora procuram se encaixar na estante empoeirada entre as ancestrais epopéias são as africanas Pui e Dausi, cantadas [...]

Numa questão de segundos ingênuos

É que eu queria saber o nome de todas as estrelas – e isso seria a maior das intimidades com a noite.
Pois talvez mesmo, num ser tão sem graça e cinza, o único brilho fosse nos olhos, a refletir as constelações – porque luz própria já não há.
Mas tão longe. E, inalcançáveis, brilham para tantos [...]

Blog como ferramenta de publicação

Apesar do que se imagina, a presença web é algo mais simples do que parece. Mês passado eu questionei o porquê dos leitores que produzem conteúdo não publicarem na web. Possivelmente isso acontece pois existe o mito de que isso é difícil. Mas não é.
A forma mais acessível e simples atualmente é manter um blog. [...]

Papel do passado: O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

 
 
 

 
   
Em mais um dia de minha corrida vida acadêmica, estava eu pensando em mais um conflito: até que ponto ler livros atrás de livros (de Literatura ou teoria) tem acrescentado algo em minha vida? Repare de que tipo de livros estou falando, hein! Literatura! Uma das coisas mais humanas e que, como tais, é muito [...]