Vik Muniz disse certa vez que “o cérebro não colhe idéias no canteiro do ócio“. Mover-se, tentar e arriscar são formas de aprendizado, e toda experiência é válida. Nesses quase dois anos de existência, o Ambidestria foi um grande risque-rabisque, cheio de talentos que, cada qual ao seu estilo, mostraram o que fazem de bom. E o fizeram muito bem.
Mas sempre existe a hora de parar, de buscar novos rumos, de mudar e mover-se novamente, em outra direção, em busca de experiências diversas. Ao invés de caminhar olhando para o cascalho, ou prestando atenção apenas nos tropeços, é preciso levantar a cabeça e visualizar o horizonte a nossa frente, cheio de possibilidades. A vida não é sobre encontrar a si mesmo, mas sobre inventar-se. Não tenha medo do que possam falar, nem das críticas que podem, certas vezes, ser mais destrutivas do que construtivas. Arrisque!
O Ambidestria surgiu para incentivar talentos obscurecidos por contra-capas de cadernos, folhas soltas entre livros, gente que faz coisa boa e não mostra pra ninguém. Permitimos que arriscassem, tentassem, experimentassem. Mostramos muita coisa boa. Muita coisa boa mesmo.
E ao chegarmos ao fim, não abrimos falência. Pelo contrário: descobrimos que já cumprimos nossa função. Nesses quase dois anos de existência, foram diversos colunistas, centenas de comentários, mais de 50 mil visualizações e muita história pra contar. Não se trata da bancarrota, mas de saber quando é chegada a hora de parar e rumar em outra direção. E de instigarmos quem esteve conosco esse tempo todo a inovar e buscar novos e diferentes caminhos.
Agradeço a todos que acreditaram no projeto, que sugeriram mudanças e melhoras, e em especial a todos aqueles que contribuíram com o blog nesse meio tempo. Saibam que foi um prazer poder contar com a participação de todos, e que me sinto orgulhosa de ter visto tanta coisa boa no Ambidestria, que se tornou um interessantíssimo repositório de idéias e talentos. A presença de vocês foi crucial para que pudéssemos chegar onde chegamos.
A todos vocês o meu sincero muito obrigada.
Chegar ao fim não significa apagar as pegadas do caminho, e é por isso que os textos do Ambidestria serão mantidos em seus devidos lugares. Quem nos acompanha poderá sempre voltar e conferir seu texto favorito, comentar ou entrar em contato com os autores. Em 2010 fechamos nossas portas virtuais, mas mantemos as janelas sempre abertas, à disposição de quem quiser olhar.
Encerro o Ambidestria como quem fecha um ciclo, na certeza de que ainda há muita coisa a se fazer de bom.
Abraços,
Jacqueline Lafloufa

